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ECONOMIA

Reforma Tributária: Sebrae orienta pequenas empresas antes das decisões de setembro

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Pequenos negócios devem avaliar custos, clientes, fornecedores e fluxo de caixa antes de decidir como recolher IBS e CBS em 2027; Simples Nacional continuará existindo

As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) devem aproveitar o mês de agosto para organizar as informações financeiras e tributárias do negócio, conversar com o contador e simular os impactos da Reforma Tributária. Essa é uma recomendação fundamental feita pelo Sebrae Goiás, pois entre 1º e 30 de setembro de 2026 será aberta a possibilidade de optar pelo recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pelo regime regular, fora do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

O Simples Nacional não será extinto. As empresas que já estão regularmente enquadradas permanecerão automaticamente no regime em 2027, desde que atendam aos requisitos legais e não tenham sido excluídas por débitos ou outras pendências. Mesmo assim, todas devem avaliar o cenário. Quem estiver regular e não optar pelo recolhimento do IBS e da CBS fora do Simples continuará pagando os dois tributos dentro da guia única no primeiro semestre de 2027. Portanto, todas as empresas precisam analisar a nova realidade, mas nem todas terão de formalizar uma opção em setembro.

A Reforma Tributária cria duas possibilidades para as empresas do Simples. No modelo integral, IBS e CBS continuam dentro do DAS. Já no chamado modelo híbrido, esses dois tributos são calculados e pagos separadamente, pelo regime regular, enquanto os demais permanecem no Simples Nacional. A escolha pelo modelo híbrido não significa sair do Simples. A mudança ocorre apenas na forma de apuração e recolhimento do IBS e da CBS.

Não existe, entretanto, uma alternativa que seja automaticamente mais vantajosa para todos. A gerente da Unidade de Atendimento e Desenvolvimento Regional do Sebrae Goiás, Camila Moreira, alerta que a decisão deve ser precedida por uma avaliação detalhada. “O Sebrae reforça que não existe um modelo ideal para todos os empreendimentos. A escolha depende de fatores como atividade econômica, composição dos custos, perfil dos clientes, possibilidade de aproveitamento de créditos tributários, fluxo de caixa e estratégia de crescimento.”

Empresas que vendem principalmente para outras empresas, as chamadas operações B2B, estão entre as que precisam analisar a mudança com maior atenção. Isso porque o aproveitamento de créditos de IBS e CBS poderá influenciar as decisões de compra dos clientes e a competitividade dos fornecedores. Também devem aprofundar a análise os negócios que trabalham com margens reduzidas, possuem cadeias de fornecedores mais complexas, comercializam produtos ou serviços em diferentes estados, planejam expandir as atividades ou precisam revisar preços e processos internos.

Decisão terá validade semestral

A opção realizada em setembro de 2026 produzirá efeitos entre janeiro e junho de 2027. Caso o empresário faça a escolha e decida voltar atrás, poderá cancelar o pedido até o último dia de novembro de 2026. Quem não optar pelo regime regular do IBS e da CBS em setembro continuará recolhendo os tributos dentro do DAS no primeiro semestre de 2027. Uma nova oportunidade será aberta em março de 2027, com validade para o período de julho a dezembro.

Para o microempreendedor individual (MEI), a regra de enquadramento no Simei não mudou. A opção continuará sendo realizada em janeiro, até o último dia útil do mês.

Análise deve ir além da alíquota

Antes de decidir, o empresário precisa conhecer a estrutura de custos, a margem de lucro, o fluxo de caixa, o perfil dos clientes e fornecedores e a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários. Também deve avaliar os efeitos da escolha sobre preços, capital de giro, obrigações fiscais e sistemas de gestão. Deixar a análise para os últimos dias pode levar a decisões incompatíveis com a realidade do negócio, comprometer a formação de preços e provocar dificuldades financeiras durante o período de transição.              

Outro cuidado é não tomar decisões com base apenas em publicações nas redes sociais ou explicações genéricas. Como a implantação da Reforma Tributária ocorre de forma gradual, as regras e os procedimentos operacionais continuam sendo regulamentados. “Não se devem tomar decisões com base em informações divulgadas em redes sociais ou interpretações sem respaldo legal. Como a regulamentação continua sendo publicada gradualmente, é fundamental acompanhar apenas fontes oficiais e buscar orientação técnica antes de qualquer decisão,” alerta Camila. A recomendação é acompanhar os canais da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS, do Portal do Simples Nacional e do Sebrae, além de manter diálogo permanente com o contador da empresa.

A adaptação não envolve somente a escolha da forma de recolhimento. Os negócios precisarão revisar controles internos, emissão de documentos fiscais, sistemas de gestão e planejamento financeiro. Para os contribuintes do Simples Nacional, a obrigatoriedade dos novos campos relativos ao IBS e à CBS nos documentos fiscais começa em 1º de janeiro de 2027. A publicação dos layouts está prevista para setembro de 2026, conforme informações divulgadas pela Receita Federal.

O prazo adicional não deve ser interpretado como motivo para adiar a preparação. As empresas podem aproveitar os próximos meses para verificar com os fornecedores de sistemas quais atualizações serão necessárias, revisar cadastros de produtos e serviços e melhorar a qualidade das informações financeiras.

Contador da empresa tem papel essencial

O Sebrae Goiás orienta que as decisões tributárias sejam tomadas com o acompanhamento do contador da empresa e com base em simulações individualizadas. Camila Moreira afirma que a instituição atua na preparação da gestão, enquanto o profissional contábil analisa a situação fiscal específica da empresa.

“O Sebrae atua como parceiro estratégico do empreendedor. Seu papel é traduzir as mudanças da legislação em orientações práticas, oferecer capacitações, diagnósticos, consultorias e ferramentas que fortaleçam a gestão da empresa. Já o contador permanece responsável pela análise técnica da situação tributária do negócio, pela avaliação das obrigações fiscais e pela orientação quanto às melhores alternativas previstas na legislação.”

Consultorias e atendimentos do Sebrae Goiás

* Entre os serviços disponíveis que podem orientar o empreendedor está a consultoria on-line gratuita. O atendimento é destinado a empresas com CNPJ, incluindo MEI, ME e EPP. A consultoria é realizada por videoconferência, tem duração aproximada de uma hora e precisa ser agendada. Acesse: www.sebraego.com.br/consultoria-online

* Também é possível buscar orientação em Gestão Financeira para revisar controles de caixa, entradas e saídas de recursos e planejamento do capital de giro: www.sebraego.com.br/consultoria-em-gestao/#financas

* O Sebrae Goiás também oferece de maneira gratuita consultoria presencial e materiais técnicos sobre a Reforma Tributária: fone 0800 570 0800, WhatsApp (62) 3250-2424 ou e-mail atendimento@sebraego.com.br

E também há materiais técnicos que podem ser baixados gratuitamente:

* E-book Reforma Tributária para Micro e Pequenas Empresas: https://lojavirtual.sebraego.com.br/loja/biblioteca-digital/20674-ebook-reforma-tributaria-para-micro-e-pequenas-empresas-abril-2026?utm_source=chatgpt.com

* E-book Reforma Tributária: o que muda para os pequenos negócios, https://lojavirtual.sebraego.com.br/loja/biblioteca-digital/20673-ebook-reforma-tributaria-o-que-muda-para-os-pequenos-negocios?utm_source=chatgpt.com

* Roteiro do Simples Nacional na Reforma Tributária: https://lojavirtual.sebraego.com.br/loja/biblioteca-digital/20675-roteiro-do-simples-nacional-na-reforma-tributaria?utm_source=chatgpt.com

Saiba mais aqui, no Portal Simples Nacional:

https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/NoticiaCompleta.aspx?id=c739e03c-8482-473f-8e82-f38ec3b13637

Saiba mais sobre o cronograma da Receita Federal:

https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/julho/receita-federal-e-comite-gestor-do-ibs-publicam-o-cronograma-de-implementacao-dos-documentos-fiscais-eletronicos-da-reforma-tributaria-do-consumo

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ECONOMIA

Estudo do Sebrae Goiás mostra o que a transição energética muda para os pequenos negócios

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Publicação reúne dados do setor no mundo, no Brasil e em Goiás, explica por que a demanda por eletricidade tende a crescer e aponta duas frentes de oportunidade para micro e pequenas empresas

A produção de eletricidade em Goiás cresceu 37% de 2023 para 2024, bem acima do ritmo do Centro-Oeste (14%) e do Brasil (6%). O dado está no estudo “Energias Renováveis e Pequenos Negócios – da Transição Global às Oportunidades Locais”, publicado pelo Sebrae Goiás em setembro, que analisa a transição energética e o que ela significa para as micro e pequenas empresas do estado.

Produzido pela Unidade de Gestão Estratégica (UGE), o levantamento reúne dados de instituições como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), além de entrevistas com empresários que já adotaram a energia solar e com especialistas do setor. Coordenadora do estudo, a analista Polyanna Marques Cardoso conta que o objetivo foi entender como a transição energética afeta a economia e o que ela muda para os pequenos negócios. “A principal contribuição para as micro e pequenas empresas é transformar informações técnicas e de mercado em inteligência prática para apoiar decisões e identificar novas oportunidades de negócio na cadeia das energias renováveis”, afirma.

A transição energética é a substituição de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, por fontes limpas e renováveis, como a solar, a eólica, a hidrelétrica e a biomassa. O movimento ganhou velocidade. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), citada no estudo, a capacidade mundial de geração renovável deve mais que dobrar até 2030, quando essas fontes devem responder por quase 45% da eletricidade gerada no planeta. A energia solar lidera a expansão: respondeu por cerca de 80% do aumento da capacidade instalada entre 2019 e 2025.

O Brasil parte de uma posição favorável. As fontes renováveis respondem por 85% da oferta interna de eletricidade do país, também segundo a IEA, o que, de acordo com o estudo, coloca o Brasil entre os dez países com maior participação dessas fontes na matriz elétrica.

Goiás em expansão

Para Polyanna, o crescimento de 37% na produção mostra que Goiás vem assumindo posição de destaque na expansão do setor energético. A base da matriz estadual ainda é a água: as hidrelétricas respondem por 82% da energia gerada no estado, e a solar já chega a 6%, segundo a Fieg. Casas e empresas também passaram a produzir a própria energia. Até 2024, Goiás somava 158.267 unidades de geração distribuída conectadas à rede, modelo em que a eletricidade é gerada no próprio local de consumo ou perto dele.

As fontes com mais espaço para crescer, segundo a analista, são a solar e a biomassa, energia obtida de materiais orgânicos como bagaço de cana, resíduos agrícolas e dejetos de animais. “As duas apresentam elevado potencial de expansão devido à alta incidência solar, à forte base agroindustrial e à ampla disponibilidade de resíduos orgânicos para produção de energia”, afirma a analista. De biogás, produzido a partir desses resíduos, o estado tem 122 plantas, com capacidade de 86,46 milhões de metros cúbicos por ano e potencial estimado de até 2,2 bilhões de metros cúbicos anuais, segundo levantamento do governo estadual e do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), citado no estudo. Já a eólica praticamente não existe em Goiás, porque os ventos são fracos na maior parte do ano.

O estudo também explica por que a procura por energia elétrica tende a crescer. O consumo de eletricidade no Brasil aumentou 5,5% em 2024, segundo a EPE, e o documento aponta fatores que devem sustentar esse movimento: eventos climáticos extremos, que ampliam o uso de ar-condicionado e de irrigação, a eletrificação dos transportes, a automação da indústria, a expansão da inteligência artificial e dos data centers e a cobrança de mercados e consumidores por práticas sustentáveis. É o que a publicação chama de “era da eletricidade”, em que a energia elétrica se torna a base das novas tecnologias e substitui combustíveis fósseis em setores tradicionais.

Duas frentes para os pequenos negócios

Para as micro e pequenas empresas, o estudo identifica dois caminhos. “A primeira frente envolve a adoção de soluções para aumentar a eficiência energética e reduzir custos operacionais, como energia solar, gestão do consumo, armazenamento e aproveitamento de resíduos. A segunda consiste em possibilidades na atuação dessas empresas como fornecedoras de produtos, serviços e tecnologias para o segmento”, resume Polyanna.

A conclusão da publicação é que a energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser um ativo estratégico para os negócios. Para ajudar o empresário a enxergar essas possibilidades, o estudo explica como funciona o setor elétrico brasileiro e as formas de contratar energia, detalha as fontes renováveis mais presentes em Goiás, reúne soluções práticas para reduzir o gasto com energia e mapeia novos modelos de negócio no setor.

O Sebrae Goiás apoia as duas frentes por meio do Projeto Sebrae Energia (https://www.sebraego.com.br/sebrae-energia/), que, segundo Polyanna, está à disposição “tanto do empresário que quer reduzir custos e tornar sua empresa mais eficiente quanto daquele que deseja empreender no setor de energias renováveis”.

O estudo pode ser baixado gratuitamente no Observatório Sebrae:

https://www.sebraego.com.br/observatorio-sebrae

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ECONOMIA

MBRF abre inscrições para Programa de Estágio em Agropecuária com três vagas em Goiás

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Iniciativa com vivência em toda a cadeia produtiva já efetivou cerca de 50% dos participantes desde 2022, e oferece oportunidade de desenvolvimento para estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia

São Paulo, setembro de 2026 – A MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, detentora de marcas icônicas como Sadia, Perdigão e Qualy, está com inscrições abertas para o Programa de Estágio em Agropecuária 2027, que oferece três vagas em Goiás, sendo duas em Rio Verde e uma em Mineiros. As oportunidades são destinadas a estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, com início previsto para janeiro de 2027.

Diferente de estagiar em áreas corporativas e de operação tradicionais, o programa oferece uma imersão prática e técnica em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o acompanhamento da rotina dos animais em propriedades rurais integradas e a vivência dos processos agropecuários junto a extensionistas, sanitaristas e supervisores até visitas a fábricas de ração, incubatórios e frigoríficos. Além disso, os participantes contam com uma trilha contínua de desenvolvimento com treinamentos exclusivos pela Academia MBRF.

O programa apresenta um alto índice de efetivação: 50% dos participantes foram efetivados desde 2022, reforçando a iniciativa como uma das portas de entrada para profissionais que desejam construir uma trajetória na MBRF e seguir desenvolvendo sua carreira na companhia.

“O Programa de Estágio em Agropecuária foi criado para proporcionar aos estudantes uma vivência completa e real do dia a dia da operação Agropecuária, com acompanhamento de mentores e especialistas que contribuem para seu desenvolvimento técnico e profissional. Essa vivência permite que os talentos desenvolvam conhecimentos técnicos da sua área de atuação, conheçam diferentes etapas do ciclo produtivo e ampliem sua visão sobre a área, criando uma base para futuras oportunidades de carreira na MBRF”, afirma Thiago Pereira, Diretor de Gente e Processos Globais de RH da MBRF.  

Pré-requisitos e benefícios

Para participar, os candidatos devem ter mais de 18 anos, estar matriculados em Medicina Veterinária, Agronomia ou Zootecnia e cursando o último semestre da graduação no primeiro semestre de 2027 (com previsão de formatura entre junho e julho de 2027), além de ter disponibilidade para estagiar oito horas por dia, de janeiro a junho de 2027. O programa oferece bolsa-auxílio de R$ 2.574,00, além de um amplo pacote de benefícios. O conhecimento de outros idiomas é considerado um diferencial no processo seletivo.

As inscrições podem ser realizadas até 12 de outubro de 2026 pelo site talents.mbrf.com. A seleção dos candidatos será realizada em outubro, e o início do programa está previsto para janeiro de 2027.

Sobre a MBRF      

A MBRF é uma das maiores empresas globais de alimentos, presente em 117 países e com um portfólio multiproteínas que inclui carne bovina, suína e de aves, produtos industrializados, pratos prontos e pet food. Com marcas fortes e icônicas como Sadia, Perdigão, Sadia Bassi, Perdigão Montana, Perdigão na Brasa, Qualy, Banvit, Paty, a companhia reúne 130 mil colaboradores pelo mundo e produz cerca de 8 milhões de toneladas de alimentos por ano, atendendo mais de 425 mil clientes e milhões de consumidores em todo o mundo.  A MBRF combina expertise, inovação e eficiência em uma plataforma 100% integrada, guiada por simplicidade, excelência e práticas sustentáveis. A empresa acompanha tendências e hábitos dos consumidores para oferecer o portfólio mais completo do mercado, com qualidade, competitividade e responsabilidade

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ECONOMIA

Cachaça goiana ganha relevância e tem grande potencial de crescimento em mercado premium

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Boletim do Sebrae aponta oito tendências e caminhos para agregar valor, ampliar mercados e fortalecer o segmento no estado

A cachaça vive um novo momento. Mais do que uma bebida tradicional, ela passa a ser reconhecida como expressão de território, cultura e experiência – e é nesse movimento que o Sebrae Goiás enxerga espaço para o pequeno produtor. Lançado em setembro pela Unidade de Gestão Estratégica (UGE) do Sebrae Goiás, o Boletim de Tendências – Cachaçarias reúne oito tendências que devem seguir moldando o setor e mostra como cada uma delas pode virar valor, mercado e renda para as cachaçarias goianas. O ponto de partida é um contraste: Goiás tem uma cadeia forte ligada à cana-de-açúcar, mas o segmento formal de cachaça reúne 49 estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e emprega aproximadamente 230 pessoas, segundo dados da Rais/Caged de 2025.

A explicação para o tamanho modesto do mercado começa na vocação da própria cana goiana, explica a analista da UGE Polyanna Marques Cardoso, responsável pelo estudo. “A cana-de-açúcar em Goiás é fortemente direcionada para a produção de açúcar, etanol e energia, atividades de grande escala e elevada produtividade, enquanto a cachaça depende de alambiques, mão de obra especializada, construção de marca e comercialização diferenciada”, avalia. O boletim serve tanto para quem já tem uma cachaçaria quanto para quem planeja entrar no segmento.

A esse fator estrutural soma-se outro, que o boletim aponta como o principal desafio da cadeia: a informalidade, que limita o acesso a mercados, crédito, certificações e canais de distribuição. Não há levantamento sobre quantos produtores atuam sem registro no estado, mas o Sebrae não tem dúvida de que são muitos. “Há muito mais cachaçarias instaladas em Goiás do que as 49 registradas no Mapa. Então, o primeiro alerta que o próprio boletim trouxe foi a importância da sensibilização desses produtores para se profissionalizar. O ambiente de mercado precisa ser mais regular”, avalia Francisco Lima, gerente da UGE.

Por se tratar de bebida enquadrada na legislação de alimentos, a produção e a comercialização de cachaça exigem registro do estabelecimento e de cada produto junto ao Mapa, com rotulagem e identificação em conformidade. Sem isso o produtor se expõe a autuações, apreensão de produtos e prejuízos à reputação, além de perder negócios.

“A informalidade impede a cachaçaria de migrar de uma lógica de venda baseada em preço para uma lógica de venda baseada em valor. Enquanto uma cachaça informal compete principalmente pelo preço local, uma cachaça formalizada pode competir por origem, qualidade, experiência, turismo, premiações e exportação, o que possibilita margens muito maiores”, resume Polyanna.

É justamente essa migração que as tendências do boletim descrevem: a cachaça como bebida versátil, original e premium; a convergência entre gastronomia, turismo e cachaça; a reputação construída por validação externa, com prêmios e certificações; o uso de madeiras brasileiras nativas como assinatura sensorial; a exportação de nicho e a internacionalização; as bebidas prontas para consumo (RTD); a inteligência de dados e a IA no relacionamento com clientes; e a Indicação Geográfica (IG) como ativo coletivo do território.

Com relação à IG, o boletim destaca a Indicação de Procedência da Cachaça de Orizona, que colocou Goiás no grupo de territórios brasileiros reconhecidos pela produção da bebida. Em 2026, o país soma nove IGs ligadas à cachaça: sete Indicações de Procedência: Região de Salinas (MG), Microrregião Abaíra (BA), Morretes (PR), Viçosa do Ceará (CE), Areia (PB), Orizona (GO) e Circuito das Águas Paulista (SP), e duas Denominações de Origem, Paraty (RJ) e Luiz Alves (SC).

Além de identificar de onde vem o produto, a IG organiza produtores, preserva saberes tradicionais e fortalece a reputação coletiva, abrindo caminho para ações integradas de promoção, comercialização e turismo de experiência. Experiências de outros territórios mostram o potencial: em Areia, a cachaça está associada a eventos e geração de negócios; em Morretes, produtores com IG já atuam no mercado internacional; e Paraty foi o primeiro destilado brasileiro a conquistar uma Denominação de Origem.

O selo ganha uma dimensão extra com o Acordo de Parceria Estratégica entre Mercosul e União Europeia, em aplicação no Brasil desde maio de 2026. Além de reconhecer e proteger a denominação “Cachaça” como produto genuinamente brasileiro no mercado europeu, o acordo prevê a eliminação gradual, em quatro anos, da tarifa de importação para a bebida engarrafada em recipientes de até dois litros, hoje em torno de 8%. “Essa é uma oportunidade especialmente relevante para Orizona, cuja Indicação de Procedência pode funcionar como um passaporte para mercados que valorizam tanto a história quanto a qualidade do produto”, avalia Polyanna.

Os números nacionais mostram o tamanho do espaço a ocupar. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Mapa, o Brasil contabilizou em 2025: 1.538 estabelecimentos elaboradores em 844 municípios; 8.379 produtos registrados; produção de 234,4 milhões de litros; exportação de 7,95 milhões de litros para 76 destinos, com receita de US$ 17,07 milhões – o equivalente a cerca de 3,4% do que foi produzido.

A baixa presença internacional tem várias causas somadas. O mercado doméstico é amplo e absorve grande parte da produção, o que permite a muitos produtores prosperar sem encarar os desafios da exportação. A cachaça ainda tem reconhecimento limitado como destilado premium em diversos mercados, sobretudo diante de whisky, tequila e rum. E há a barreira prática: adequação documental, regulatória, mercadológica e logística, além da dificuldade de pequenos produtores alcançarem escala, padronização e capacidade de atender uma demanda contínua.

A resposta que o boletim propõe não é competir por volume, e sim por nicho: mercados que valorizam produtos artesanais, de origem definida e produção limitada, acessados por feiras, rodadas de negócios e importadores de bebidas premium. “O acordo com a União Europeia amplia oportunidades para novos produtores, desde que estejam atentos às regulamentações e participem de feiras e eventos internacionais”, pontua Francisco Lima. Há um bônus, ainda: a presença internacional fortalece a imagem da marca e aumenta sua credibilidade também no mercado nacional.

Além da compilação de dados de mercado, o boletim traz análises de como pequenos negócios no setor podem potencializar seus negócios de forma a concorrer com competividade. Entre as orientações estão digitalização, networking, marketing com storytelling, aderência à tendência de convergência entre gastronomia, turismo e cachaça, e diversificação de portfólio.

O Boletim pode ser baixado no Observatório Sebrae: https://www.sebraego.com.br/observatorio-sebrae/

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