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Caiado defende segurança, ajuste fiscal e anistia durante entrevista na Globo
Candidato do PSD à Presidência apresentou propostas para segurança pública e economia e voltou a defender a superação da polarização política no país

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, participou na noite desta terça-feira (25) da série de entrevistas da TV Globo com os presidenciáveis. A sabatina, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, foi exibida ao vivo após o Jornal Nacional, diretamente dos Estúdios Globo. Caiado foi o segundo candidato a participar da série, iniciada na segunda-feira (24) com Romeu Zema (Novo).
Durante a entrevista, Caiado buscou apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização política nacional. Um dos assuntos de maior repercussão foi a defesa de uma anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o candidato, caso seja eleito, a proposta será encaminhada ao Congresso Nacional com o argumento de contribuir para a pacificação política do país.
A segurança pública, uma das principais bandeiras políticas de Caiado, também ganhou espaço significativo. O candidato defendeu maior integração entre os países sul-americanos para enfrentar o narcotráfico, o contrabando de armas, a lavagem de dinheiro e as organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.
Entre as propostas apresentadas está a criação de uma força de cooperação policial entre países da América do Sul, chamada de SulPol. Caiado afirmou que a iniciativa permitiria operações integradas contra o crime organizado. Questionado sobre soberania nacional, disse que não autorizaria uma intervenção militar dos Estados Unidos para combater facções criminosas no território brasileiro, defendendo que o problema seja enfrentado por meio da cooperação entre os próprios países da região.
Ao explicar a proposta, Caiado utilizou a Europol como referência. Durante a entrevista, porém, César Tralli observou que a agência europeia atua principalmente na cooperação e no intercâmbio de informações e não possui poder próprio para efetuar prisões. Checagem publicada posteriormente pela Agência Lupa também apontou imprecisão nessa comparação.
Na área econômica, o candidato foi questionado sobre dívida pública, controle dos gastos, Previdência e salário mínimo. Caiado defendeu maior eficiência administrativa e propôs estabelecer, por meio de emenda constitucional, um limite para os gastos públicos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, durante a sabatina, não detalhou quais despesas seriam reduzidas nem apresentou mudanças específicas para a Previdência.
Ao longo da entrevista, Caiado procurou utilizar sua experiência administrativa em Goiás como credencial para chegar ao Palácio do Planalto e reforçou a intenção de ocupar um espaço político fora da disputa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A participação também foi marcada por momentos de confronto entre o candidato e os entrevistadores, especialmente quando foram cobrados detalhes sobre suas propostas. Em diferentes momentos, Renata Vasconcellos e César Tralli interromperam Caiado para pedir respostas mais objetivas ou apresentar contrapontos.
Com a entrevista em rede nacional, Ronaldo Caiado ganhou uma das principais vitrines de sua campanha presidencial, colocando no centro do debate temas que pretende transformar em marcas de sua candidatura: segurança pública, combate ao crime organizado, gestão fiscal e o discurso de pacificação política.
A série da Globo prossegue com outros candidatos à Presidência. As entrevistas são realizadas ao vivo e, neste ano, pela primeira vez, estão sendo exibidas logo após o Jornal Nacional, em espaço específico da programação.