Conecte-se conosco

politica

Eleições 2026: 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo

Publicado

ligado

Sudeste concentra maior fatia do eleitorado, enquanto Norte registra maior crescimento proporcional desde 2022; votação mobiliza mais de 563 mil urnas em todo o país

Mais de 158,7 milhões de brasileiras e brasileiros estão aptos a votar neste domingo (4), no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são exatamente 158.745.463 eleitoras e eleitores — 2,29 milhões a mais do que em 2022, crescimento de 1,46%. O eleitorado está distribuído por 5.571 municípios brasileiros e 186 cidades no exterior. 

A dimensão do pleito também se reflete na estrutura preparada pela Justiça Eleitoral. Ao todo, serão 517.206 seções eleitorais, organizadas em 2.641 zonas eleitorais, com 563.910 urnas eletrônicas disponíveis para a votação.

Seis escolhas na urna

Em 2026, estão em disputa os cargos de presidente e vice-presidente da República; governador e vice-governador; senador; deputado federal; e deputado estadual ou distrital. Serão escolhidos 27 governadores e vice-governadores, 54 senadores e 513 deputados federais, além dos deputados estaduais e distritais, cujo número varia conforme cada unidade da Federação. Eventual segundo turno para presidente e governador está marcado para 25 de outubro.

Sudeste reúne quatro em cada dez eleitores

O Sudeste continua sendo a região com a maior concentração de eleitoras e eleitores do país. São 66,3 milhões de pessoas aptas a votar, o equivalente a 41,78% do eleitorado nacional.

Apesar da liderança, a região foi a única entre as cinco regiões brasileiras a registrar redução no número de eleitores em relação a 2022. Naquele ano, eram 66,7 milhões, ou 42,64% do eleitorado. A queda foi de cerca de 378 mil pessoas, uma redução proporcional de 0,56%.

O Nordeste aparece em segundo lugar, com 43,5 milhões de eleitores e 27,42% do total nacional. Na sequência estão Sul, com 22 milhões (14,40%); Norte, com 13,1 milhões (8,26%); e Centro-Oeste, com quase 12 milhões (7,56%).

São Paulo permanece como o maior colégio eleitoral do Brasil, com 34,1 milhões de eleitoras e eleitores, seguido por Minas Gerais, com 16,4 milhões, e Rio de Janeiro, com 12,9 milhões. Bahia e Paraná completam a lista dos cinco maiores eleitorados estaduais. Juntos, os cinco estados concentram 83,3 milhões de pessoas, 52,45% do eleitorado nacional. 

Norte cresce acima da média nacional

Embora concentre uma parcela menor do eleitorado, o Norte foi a região que mais cresceu proporcionalmente desde 2022. O número de eleitores passou de 12,56 milhões para 13,11 milhões, aumento de 548,9 mil pessoas, ou 4,37%. 

O avanço regional é puxado por estados que apresentaram algumas das maiores taxas de crescimento do país. Roraima teve alta de 9,63%, seguido por Tocantins, com 8,07%.

Também chama atenção o crescimento do eleitorado brasileiro no exterior. São 918.876 pessoas habilitadas a votar fora do país, 221.798 a mais do que em 2022, quando eram 697.078. O aumento foi de 31,82%. 

Mulheres são maioria e eleitorado está mais maduro

As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores. Em 2026, são 83,8 milhões, ou 52,84% do eleitorado, enquanto os homens somam 74,8 milhões. Em 2022, as mulheres representavam 52,65% dos aptos a votar. 

Outro movimento observado pelo TSE é o aumento da participação das faixas etárias mais velhas. O número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 32,8 milhões, em 2022, para 37,4 milhões em 2026. A participação desse grupo subiu de 21,02% para 23,60% do eleitorado.

Entre as faixas etárias, o maior contingente está entre 40 e 44 anos, com quase 16 milhões de eleitores. Já os jovens de até 18 anos somam 3,57 milhões, ante 4,17 milhões em 2022.

A biometria também avançou. O cadastro alcança 141,3 milhões de eleitoras e eleitores, ou 89,01% do total. Em 2022, o índice era de 75,51%. 

Mais de 563 mil urnas estarão em operação

Para atender ao eleitorado, a Justiça Eleitoral colocará em funcionamento 563.910 urnas eletrônicas. Serão utilizados quatro modelos: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013.

As versões mais recentes — UE2022 e UE2020 — representam 77% dos equipamentos. Segundo o TSE, apesar das diferenças de design, os recursos são os mesmos em todas as versões. 

A votação ocorre das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todos os estados e no Distrito Federal. Neste primeiro turno, o eleitorado escolherá candidatos para seis cargos. A sequência começa pelo deputado federal, passa pelo deputado estadual ou distrital, pelas duas vagas de senador, governador e, por último, presidente da República. 

Fachin pede voto com “serenidade, consciência e confiança”

Às vésperas da votação, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou uma nota sobre as eleições. No documento, ele destacou a participação dos mais de 158 milhões de eleitores e o papel da Justiça Eleitoral na organização do pleito.

“Convocamos os mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores a exercer o direito ao voto com serenidade, consciência e confiança nas instituições”, afirmou Fachin.

O ministro também ressaltou que o voto é, em sua avaliação, “a expressão máxima da cidadania” e reconheceu o trabalho dos tribunais eleitorais e dos mais de 1,9 milhão de mesárias e mesários envolvidos na eleição.

Com eleitorado maior que o registrado em 2022, mudanças na distribuição regional e uma estrutura de votação que mobiliza centenas de milhares de urnas e seções eleitorais, o Brasil chega ao primeiro turno de 2026 com um dos maiores processos de mobilização eleitoral do mundo.  Fonte: Brasil 61

Continuar lendo
Clique para comentar

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

politica

Sessões de Setembro resultam na aprovação de 30 Leis, 07 Decretos, 10 Moções de Aplausos e 331 Requerimentos

Publicado

ligado

Realizadas entre os dias 14 e 18 de setembro, as sessões legislativas do mês resultaram na aprovação de 30 Leis, 07 Decretos Legislativos, 10 Moções de Aplausos e 331 Requerimentos. Entre as matérias aprovadas, 18 foram de iniciativa do Poder Executivo e 29 do Legislativo.

A semana de sessões contou com a participação de representantes de diversas entidades, entre elas o Hospital de Olhos de Rio Verde, o Instituto Vera’s, a Associação Brasil Central – Ministério dos Desbravadores, o CTG Querência de Rio Verde e a Associação Beneficente Auta de Souza (ABAS).

Entre as matérias aprovadas, destaca-se a Lei nº 7.899/2026, que ajusta o PPA, a LDO e a LOA de 2026 para viabilizar R$ 350 mil em créditos especiais, destinados ao Programa Rio Verde Digital e à educação especial, além de adequar recursos para uma parceria entre o Município e a UniRV voltada ao desenvolvimento de tecnologia de acessibilidade digital, com uso de Avatar 3D em Libras, promovendo inovação e inclusão digital.

Outro destaque é a Lei nº 7.904/2026, que institui o FUMDAF, fundo destinado a apoiar financeiramente e tecnicamente os agricultores familiares vinculados ao PROCINVERDE, com recursos para a produção agropecuária, a assistência técnica, a capacitação, a sustentabilidade, a comercialização e a inovação, fortalecendo a agricultura familiar, o abastecimento e o desenvolvimento rural de Rio Verde.

Os vereadores também aprovaram a Lei nº 7.905/2026, que institui o REFIS de Rio Verde, permitindo a regularização de débitos municipais vencidos até 31 de dezembro de 2025, com descontos de até 90% em multas e juros e parcelamento em até 36 vezes. A adesão ao programa poderá ser feita de 1º de outubro a 13 de novembro de 2026.

Por fim, a Câmara aprovou por unanimidade a Lei nº 7.909/2026, que altera o prazo para a regularização de construções na zona urbana de Rio Verde por meio do Termo de Aceite, permitindo que edificações concluídas até 30 de setembro de 2026 sejam contempladas, desde que atendidos os requisitos legais.

Encerrando a semana de sessões, a Mesa Diretora agradeceu aos vereadores, ao público presente e aos internautas pela participação e convidou toda a população a participar das sessões solenes de entrega de honrarias, que serão realizadas nos dias 24, 29 e 30 de setembro, às 19 horas, no Plenário da Câmara Municipal de Rio Verde.

Continuar lendo

politica

Sessões de Setembro resultam na aprovação de 30 Leis, 07 Decretos, 10 Moções de Aplausos e 331 Requerimentos

Publicado

ligado

Por

Realizadas entre os dias 14 e 18 de setembro, as sessões legislativas do mês resultaram na aprovação de 30 Leis, 07 Decretos Legislativos, 10 Moções de Aplausos e 331 Requerimentos. Entre as matérias aprovadas, 18 foram de iniciativa do Poder Executivo e 29 do Legislativo.

A semana de sessões contou com a participação de representantes de diversas entidades, entre elas o Hospital de Olhos de Rio Verde, o Instituto Vera’s, a Associação Brasil Central – Ministério dos Desbravadores, o CTG Querência de Rio Verde e a Associação Beneficente Auta de Souza (ABAS).

Entre as matérias aprovadas, destaca-se a Lei nº 7.899/2026, que ajusta o PPA, a LDO e a LOA de 2026 para viabilizar R$ 350 mil em créditos especiais, destinados ao Programa Rio Verde Digital e à educação especial, além de adequar recursos para uma parceria entre o Município e a UniRV voltada ao desenvolvimento de tecnologia de acessibilidade digital, com uso de Avatar 3D em Libras, promovendo inovação e inclusão digital.

Outro destaque é a Lei nº 7.904/2026, que institui o FUMDAF, fundo destinado a apoiar financeiramente e tecnicamente os agricultores familiares vinculados ao PROCINVERDE, com recursos para a produção agropecuária, a assistência técnica, a capacitação, a sustentabilidade, a comercialização e a inovação, fortalecendo a agricultura familiar, o abastecimento e o desenvolvimento rural de Rio Verde.

Os vereadores também aprovaram a Lei nº 7.905/2026, que institui o REFIS de Rio Verde, permitindo a regularização de débitos municipais vencidos até 31 de dezembro de 2025, com descontos de até 90% em multas e juros e parcelamento em até 36 vezes. A adesão ao programa poderá ser feita de 1º de outubro a 13 de novembro de 2026.

Por fim, a Câmara aprovou por unanimidade a Lei nº 7.909/2026, que altera o prazo para a regularização de construções na zona urbana de Rio Verde por meio do Termo de Aceite, permitindo que edificações concluídas até 30 de setembro de 2026 sejam contempladas, desde que atendidos os requisitos legais.

Encerrando a semana de sessões, a Mesa Diretora agradeceu aos vereadores, ao público presente e aos internautas pela participação e convidou toda a população a participar das sessões solenes de entrega de honrarias, que serão realizadas nos dias 24, 29 e 30 de setembro, às 19 horas, no Plenário da Câmara Municipal de Rio Verde.

Continuar lendo

politica

SABATINAS DA GLOBO EXPÕEM FORÇAS E FRAGILIDADES DOS PRESIDENCIÁVEIS

Publicado

ligado

Por

Entrevistas com Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury colocaram candidatos sob pressão e revelaram diferenças de experiência, comunicação e capacidade de detalhar propostas

JC OLIVEIRA

A série de entrevistas da Rede Globo com os principais candidatos à Presidência da República ofereceu ao eleitor uma oportunidade importante para observar os presidenciáveis fora do ambiente confortável dos palanques, propagandas eleitorais e redes sociais.

Conduzidas pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, as sabatinas reuniram os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).

O formato de perguntas incisivas procurou confrontar os candidatos com contradições, declarações anteriores, resultados administrativos e propostas apresentadas durante a campanha.

O resultado foi revelador.

Nenhum candidato atravessou a entrevista sem dificuldades. Alguns demonstraram maior experiência administrativa; outros, melhor capacidade de comunicação. Houve ainda quem apostasse em propostas de grande impacto, mas encontrasse dificuldades quando solicitado a explicar como colocá-las em prática.

ROMEU ZEMA: COERÊNCIA LIBERAL, MAS CONTRADIÇÕES NA EXPERIÊNCIA ADMINISTRATIVA

Romeu Zema procurou reforçar sua identidade como administrador e defensor de uma agenda econômica liberal, baseada na redução do tamanho do Estado, privatizações, responsabilidade fiscal e maior participação da iniciativa privada.

Sua experiência à frente de Minas Gerais serviu como principal credencial.

Zema citou resultados fiscais de sua administração, incluindo a passagem de um déficit orçamentário para superávit. Entretanto, foi confrontado com o crescimento da dívida mineira durante seu período no governo.

Também enfrentou dificuldades em algumas afirmações sobre segurança pública. Checagens posteriores apontaram problemas em declarações sobre criminalidade, feminicídio e legislação relacionada às saídas temporárias de presos.

Politicamente, Zema manteve coerência com o eleitorado liberal e conservador, mas deixou uma questão importante: até que ponto consegue apresentar uma candidatura suficientemente diferente do bolsonarismo para conquistar eleitores de centro e, simultaneamente, disputar votos da direita?

Seu ponto forte foi a identidade econômica clara. A fragilidade apareceu quando resultados concretos de sua administração foram confrontados com algumas das premissas utilizadas em seu discurso nacional.

RONALDO CAIADO: EXPERIÊNCIA E SEGURANÇA COMO CARTÕES DE VISITA

Ronaldo Caiado procurou utilizar a experiência acumulada na vida pública e principalmente sua passagem pelo Governo de Goiás como prova de capacidade administrativa.

A segurança pública apareceu como sua principal bandeira.

Caiado defendeu maior integração entre as forças policiais brasileiras e países vizinhos para combater organizações criminosas, tráfico de drogas e armas.

Sua experiência administrativa lhe deu uma vantagem importante: diferentemente de candidatos que precisam explicar apenas aquilo que pretendem realizar, Caiado pôde recorrer aos resultados de Goiás para sustentar parte de seu discurso.

Por outro lado, encontrou dificuldades quando pressionado a detalhar medidas econômicas e fiscais.

Também houve questionamentos factuais. Checagem da Agência Lupa apontou, por exemplo, erro na descrição das atribuições da Europol e falta de contexto em algumas informações utilizadas sobre criminalidade e endividamento.

Outro ponto de repercussão foi sua defesa de anistia relacionada aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caiado procura apresentar a proposta como instrumento de pacificação nacional, enquanto seus críticos enxergam riscos institucionais nessa posição.

A entrevista mostrou um candidato experiente, especialmente confortável ao falar de segurança e administração, mas que precisa apresentar com maior precisão como pretende executar seu projeto econômico em escala nacional.

RENAN SANTOS: COMUNICAÇÃO FORTE E PROPOSTAS DE ALTO IMPACTO

Renan Santos utilizou a entrevista para reforçar sua imagem de candidato antissistema.

Demonstrou facilidade de comunicação, disposição para o confronto e capacidade de produzir declarações com grande potencial de repercussão nas redes sociais.

Uma delas foi a defesa de que o Brasil desenvolva capacidade nuclear militar.

A proposta imediatamente abriu um debate sobre sua compatibilidade com a Constituição e os compromissos internacionais brasileiros.

Na segurança pública, Renan apresentou posições bastante duras contra o crime organizado. Checagens posteriores, entretanto, identificaram problemas em algumas de suas afirmações sobre legislação contra organizações criminosas, feminicídio e políticas climáticas.

Seu principal mérito foi utilizar a exposição nacional para consolidar uma identidade própria.

Mas sua principal qualidade também representa seu maior risco: propostas destinadas a provocar forte impacto político precisam sobreviver ao teste da Constituição, do orçamento, das relações internacionais e da capacidade real de execução.

Renan demonstrou capacidade para chamar atenção. Ainda precisa convencer uma parcela maior do eleitorado de que suas propostas podem ultrapassar o discurso de ruptura e se transformar em políticas públicas viáveis.

LULA: EXPERIÊNCIA PRESIDENCIAL, MAS NA DEFENSIVA

Luiz Inácio Lula da Silva entrou na entrevista em condição diferente dos demais.

Como presidente da República e candidato à reeleição, precisava responder não apenas sobre aquilo que pretende fazer, mas também pelo governo que atualmente comanda.

Isso mudou a dinâmica de sua sabatina.

Grande parte da entrevista foi ocupada por questionamentos relacionados a controvérsias envolvendo pessoas próximas ao presidente e seu governo.

Lula adotou uma postura combativa e demonstrou a experiência política acumulada ao longo de décadas. Entretanto, em alguns momentos mostrou irritação diante da insistência dos entrevistadores.

Um dos episódios mais delicados ocorreu quando negou ter estado com a lobista Roberta Luchsinger, afirmação posteriormente confrontada com registros fotográficos. O episódio ganhou destaque nas avaliações sobre as sabatinas.

O presidente também foi questionado sobre economia e dívida pública. Sua experiência no comando do país ficou evidente, mas a necessidade de responder por acontecimentos do atual mandato reduziu significativamente o espaço disponível para apresentar uma agenda de futuro.

Assim, Lula passou boa parte da entrevista em posição defensiva.

Para um presidente candidato à reeleição, esse é um risco: quanto mais tempo precisa utilizar explicando o presente e o passado, menos tempo possui para convencer o eleitor sobre os próximos quatro anos.

FLÁVIO BOLSONARO: FORÇA JUNTO À BASE, MAS DIFICULDADE PARA AMPLIAR O DISCURSO

Flávio Bolsonaro entrou na sabatina carregando inevitavelmente o peso político do sobrenome e do legado de Jair Bolsonaro.

A entrevista abordou sistema eleitoral, 8 de Janeiro, Banco Master, questões relacionadas à família Bolsonaro, economia e políticas públicas.

Flávio demonstrou capacidade para se comunicar diretamente com o eleitor conservador e procurou transformar algumas respostas em mensagens direcionadas à sua base.

Esse comportamento pode funcionar para manter mobilizado o eleitorado bolsonarista.

O desafio, entretanto, é outro: conquistar quem não faz parte desse núcleo.

Quando a discussão avançou para políticas públicas, economia e questões administrativas, algumas respostas ficaram no terreno das generalidades.

Também houve questionamentos sobre a precisão de determinadas afirmações feitas durante a entrevista.

O ponto forte de Flávio está na existência de uma base eleitoral claramente identificada e altamente mobilizada.

Sua fragilidade está justamente na necessidade de demonstrar autonomia política, preparo administrativo e capacidade de dialogar com os eleitores que não pertencem ao campo bolsonarista.

Para vencer uma eleição presidencial, preservar a base é importante. Ampliá-la é indispensável.

AUGUSTO CURY: IDEIAS DIFERENTES, MAS FALTA DETALHAR COMO EXECUTÁ-LAS

Augusto Cury encerrou a série apresentando um perfil completamente diferente dos políticos tradicionais.

Escritor e médico psiquiatra, estreante na disputa eleitoral, procurou construir sua participação sobre três pilares: combate à polarização, inovação tecnológica e uma visão mais humanista da administração pública.

Cury mostrou facilidade para formular reflexões e frases de impacto, característica de sua trajetória como escritor e palestrante.

Sua principal bandeira foi a utilização da inteligência artificial e da tecnologia para modernizar o Estado.

Também falou sobre redução de ministérios e cargos comissionados, telemedicina, violência contra a mulher, tributação das casas de apostas e modernização da atuação internacional brasileira.

Na segurança das mulheres, uma das propostas que mais chamaram atenção foi a utilização de tecnologia e drones como ferramentas auxiliares no combate ao feminicídio.

Na política externa, sugeriu modernizar a promoção comercial brasileira, chegando a mencionar influenciadores digitais associados à atuação das embaixadas.

As ideias conseguiram diferenciá-lo dos demais candidatos.

Mas a entrevista também revelou sua principal dificuldade: transformar conceitos em políticas públicas detalhadas.

Quando pressionado sobre custos, mecanismos de execução e funcionamento de determinadas propostas, Cury demonstrou dificuldades e chegou a relativizar algumas delas.

Além disso, checagem publicada após sua entrevista identificou imprecisões. Entre elas estava sua afirmação de que cada criança brasileira já nasceria devendo R$ 50 mil por causa da dívida pública. A divisão matemática da dívida pela população pode produzir valor semelhante, mas dívida pública não representa obrigação pessoal individual de cada brasileiro.

Também houve imprecisão na informação apresentada sobre a tributação das bets.

Cury trouxe assuntos importantes e pouco explorados pelos adversários, especialmente inteligência artificial, automação, saúde mental e transformação tecnológica.

Seu diferencial é justamente pensar fora da política tradicional.

Sua fragilidade é demonstrar como essas ideias seriam transformadas em programas governamentais com orçamento, legislação, equipes, metas e articulação com o Congresso Nacional.

NINGUÉM SAIU VENCEDOR ABSOLUTO

Depois das seis entrevistas, seria simplista apontar um vencedor.

Cada candidato entrou no estúdio com desafios diferentes.

-Zema precisava demonstrar que sua experiência administrativa e sua agenda liberal poderiam funcionar nacionalmente.

-Caiado precisava transformar os resultados de Goiás em credencial para governar o Brasil.

-Renan precisava utilizar a exposição nacional para tornar sua candidatura conhecida.

-Lula precisava defender seu governo e simultaneamente apresentar razões para conquistar um novo mandato.

-Flávio precisava mostrar que existe uma candidatura presidencial além do sobrenome Bolsonaro.

-E Augusto Cury precisava provar que boas ideias e capacidade de comunicação podem ser transformadas em competência administrativa.

Nenhum conseguiu cumprir integralmente essa missão.

Uma análise publicada após o encerramento das sabatinas destacou justamente o nervosismo, as generalidades e as dificuldades dos candidatos quando submetidos a perguntas mais incisivas. Também concluiu que não houve um grande vencedor nem alguém completamente destruído politicamente pelas entrevistas.

O GRANDE VENCEDOR PODE TER SIDO O ELEITOR

Há, entretanto, um aspecto positivo.

As entrevistas obrigaram os presidenciáveis a sair do ambiente controlado das campanhas.

Nas redes sociais, candidatos escolhem o assunto, editam vídeos, selecionam perguntas e publicam apenas aquilo que interessa à estratégia eleitoral.

Em uma entrevista ao vivo e sob pressão, isso muda.

Contradições aparecem. Números são questionados. Promessas precisam ser explicadas. Experiências administrativas são confrontadas com resultados.

E justamente aí está o valor democrático desse tipo de sabatina.

O eleitor não deveria escolher seu candidato apenas por quem apresentou a melhor frase, demonstrou maior tranquilidade ou venceu determinado confronto com os entrevistadores.

É preciso observar algo mais profundo: quem conhece efetivamente os problemas do Brasil e apresenta soluções capazes de funcionar na realidade.

Uma proposta presidencial precisa responder perguntas básicas: quanto custa? De onde virá o dinheiro? Depende do Congresso? É constitucional? Qual será o prazo? Quais serão as prioridades? E quais resultados poderão ser cobrados depois?

Nesse quesito, as seis entrevistas mostraram que ainda existe uma distância considerável entre o discurso eleitoral e o detalhamento necessário para governar um país da dimensão do Brasil.

As sabatinas terminaram.

Agora, começa uma fase ainda mais importante: comparar não apenas personalidades e discursos, mas projetos de país.

Porque vencer uma entrevista pode produzir manchetes e votos.

Governar o Brasil exige muito mais.

Continuar lendo

Tendências