politica
SABATINAS DA GLOBO EXPÕEM FORÇAS E FRAGILIDADES DOS PRESIDENCIÁVEIS
Entrevistas com Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury colocaram candidatos sob pressão e revelaram diferenças de experiência, comunicação e capacidade de detalhar propostas
JC OLIVEIRA

A série de entrevistas da Rede Globo com os principais candidatos à Presidência da República ofereceu ao eleitor uma oportunidade importante para observar os presidenciáveis fora do ambiente confortável dos palanques, propagandas eleitorais e redes sociais.
Conduzidas pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, as sabatinas reuniram os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).
O formato de perguntas incisivas procurou confrontar os candidatos com contradições, declarações anteriores, resultados administrativos e propostas apresentadas durante a campanha.
O resultado foi revelador.
Nenhum candidato atravessou a entrevista sem dificuldades. Alguns demonstraram maior experiência administrativa; outros, melhor capacidade de comunicação. Houve ainda quem apostasse em propostas de grande impacto, mas encontrasse dificuldades quando solicitado a explicar como colocá-las em prática.
ROMEU ZEMA: COERÊNCIA LIBERAL, MAS CONTRADIÇÕES NA EXPERIÊNCIA ADMINISTRATIVA
Romeu Zema procurou reforçar sua identidade como administrador e defensor de uma agenda econômica liberal, baseada na redução do tamanho do Estado, privatizações, responsabilidade fiscal e maior participação da iniciativa privada.
Sua experiência à frente de Minas Gerais serviu como principal credencial.
Zema citou resultados fiscais de sua administração, incluindo a passagem de um déficit orçamentário para superávit. Entretanto, foi confrontado com o crescimento da dívida mineira durante seu período no governo.
Também enfrentou dificuldades em algumas afirmações sobre segurança pública. Checagens posteriores apontaram problemas em declarações sobre criminalidade, feminicídio e legislação relacionada às saídas temporárias de presos.
Politicamente, Zema manteve coerência com o eleitorado liberal e conservador, mas deixou uma questão importante: até que ponto consegue apresentar uma candidatura suficientemente diferente do bolsonarismo para conquistar eleitores de centro e, simultaneamente, disputar votos da direita?
Seu ponto forte foi a identidade econômica clara. A fragilidade apareceu quando resultados concretos de sua administração foram confrontados com algumas das premissas utilizadas em seu discurso nacional.
RONALDO CAIADO: EXPERIÊNCIA E SEGURANÇA COMO CARTÕES DE VISITA
Ronaldo Caiado procurou utilizar a experiência acumulada na vida pública e principalmente sua passagem pelo Governo de Goiás como prova de capacidade administrativa.
A segurança pública apareceu como sua principal bandeira.
Caiado defendeu maior integração entre as forças policiais brasileiras e países vizinhos para combater organizações criminosas, tráfico de drogas e armas.
Sua experiência administrativa lhe deu uma vantagem importante: diferentemente de candidatos que precisam explicar apenas aquilo que pretendem realizar, Caiado pôde recorrer aos resultados de Goiás para sustentar parte de seu discurso.
Por outro lado, encontrou dificuldades quando pressionado a detalhar medidas econômicas e fiscais.
Também houve questionamentos factuais. Checagem da Agência Lupa apontou, por exemplo, erro na descrição das atribuições da Europol e falta de contexto em algumas informações utilizadas sobre criminalidade e endividamento.
Outro ponto de repercussão foi sua defesa de anistia relacionada aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caiado procura apresentar a proposta como instrumento de pacificação nacional, enquanto seus críticos enxergam riscos institucionais nessa posição.
A entrevista mostrou um candidato experiente, especialmente confortável ao falar de segurança e administração, mas que precisa apresentar com maior precisão como pretende executar seu projeto econômico em escala nacional.
RENAN SANTOS: COMUNICAÇÃO FORTE E PROPOSTAS DE ALTO IMPACTO
Renan Santos utilizou a entrevista para reforçar sua imagem de candidato antissistema.
Demonstrou facilidade de comunicação, disposição para o confronto e capacidade de produzir declarações com grande potencial de repercussão nas redes sociais.
Uma delas foi a defesa de que o Brasil desenvolva capacidade nuclear militar.
A proposta imediatamente abriu um debate sobre sua compatibilidade com a Constituição e os compromissos internacionais brasileiros.
Na segurança pública, Renan apresentou posições bastante duras contra o crime organizado. Checagens posteriores, entretanto, identificaram problemas em algumas de suas afirmações sobre legislação contra organizações criminosas, feminicídio e políticas climáticas.
Seu principal mérito foi utilizar a exposição nacional para consolidar uma identidade própria.
Mas sua principal qualidade também representa seu maior risco: propostas destinadas a provocar forte impacto político precisam sobreviver ao teste da Constituição, do orçamento, das relações internacionais e da capacidade real de execução.
Renan demonstrou capacidade para chamar atenção. Ainda precisa convencer uma parcela maior do eleitorado de que suas propostas podem ultrapassar o discurso de ruptura e se transformar em políticas públicas viáveis.
LULA: EXPERIÊNCIA PRESIDENCIAL, MAS NA DEFENSIVA
Luiz Inácio Lula da Silva entrou na entrevista em condição diferente dos demais.
Como presidente da República e candidato à reeleição, precisava responder não apenas sobre aquilo que pretende fazer, mas também pelo governo que atualmente comanda.
Isso mudou a dinâmica de sua sabatina.
Grande parte da entrevista foi ocupada por questionamentos relacionados a controvérsias envolvendo pessoas próximas ao presidente e seu governo.
Lula adotou uma postura combativa e demonstrou a experiência política acumulada ao longo de décadas. Entretanto, em alguns momentos mostrou irritação diante da insistência dos entrevistadores.
Um dos episódios mais delicados ocorreu quando negou ter estado com a lobista Roberta Luchsinger, afirmação posteriormente confrontada com registros fotográficos. O episódio ganhou destaque nas avaliações sobre as sabatinas.
O presidente também foi questionado sobre economia e dívida pública. Sua experiência no comando do país ficou evidente, mas a necessidade de responder por acontecimentos do atual mandato reduziu significativamente o espaço disponível para apresentar uma agenda de futuro.
Assim, Lula passou boa parte da entrevista em posição defensiva.
Para um presidente candidato à reeleição, esse é um risco: quanto mais tempo precisa utilizar explicando o presente e o passado, menos tempo possui para convencer o eleitor sobre os próximos quatro anos.
FLÁVIO BOLSONARO: FORÇA JUNTO À BASE, MAS DIFICULDADE PARA AMPLIAR O DISCURSO
Flávio Bolsonaro entrou na sabatina carregando inevitavelmente o peso político do sobrenome e do legado de Jair Bolsonaro.
A entrevista abordou sistema eleitoral, 8 de Janeiro, Banco Master, questões relacionadas à família Bolsonaro, economia e políticas públicas.
Flávio demonstrou capacidade para se comunicar diretamente com o eleitor conservador e procurou transformar algumas respostas em mensagens direcionadas à sua base.
Esse comportamento pode funcionar para manter mobilizado o eleitorado bolsonarista.
O desafio, entretanto, é outro: conquistar quem não faz parte desse núcleo.
Quando a discussão avançou para políticas públicas, economia e questões administrativas, algumas respostas ficaram no terreno das generalidades.
Também houve questionamentos sobre a precisão de determinadas afirmações feitas durante a entrevista.
O ponto forte de Flávio está na existência de uma base eleitoral claramente identificada e altamente mobilizada.
Sua fragilidade está justamente na necessidade de demonstrar autonomia política, preparo administrativo e capacidade de dialogar com os eleitores que não pertencem ao campo bolsonarista.
Para vencer uma eleição presidencial, preservar a base é importante. Ampliá-la é indispensável.
AUGUSTO CURY: IDEIAS DIFERENTES, MAS FALTA DETALHAR COMO EXECUTÁ-LAS
Augusto Cury encerrou a série apresentando um perfil completamente diferente dos políticos tradicionais.
Escritor e médico psiquiatra, estreante na disputa eleitoral, procurou construir sua participação sobre três pilares: combate à polarização, inovação tecnológica e uma visão mais humanista da administração pública.
Cury mostrou facilidade para formular reflexões e frases de impacto, característica de sua trajetória como escritor e palestrante.
Sua principal bandeira foi a utilização da inteligência artificial e da tecnologia para modernizar o Estado.
Também falou sobre redução de ministérios e cargos comissionados, telemedicina, violência contra a mulher, tributação das casas de apostas e modernização da atuação internacional brasileira.
Na segurança das mulheres, uma das propostas que mais chamaram atenção foi a utilização de tecnologia e drones como ferramentas auxiliares no combate ao feminicídio.
Na política externa, sugeriu modernizar a promoção comercial brasileira, chegando a mencionar influenciadores digitais associados à atuação das embaixadas.
As ideias conseguiram diferenciá-lo dos demais candidatos.
Mas a entrevista também revelou sua principal dificuldade: transformar conceitos em políticas públicas detalhadas.
Quando pressionado sobre custos, mecanismos de execução e funcionamento de determinadas propostas, Cury demonstrou dificuldades e chegou a relativizar algumas delas.
Além disso, checagem publicada após sua entrevista identificou imprecisões. Entre elas estava sua afirmação de que cada criança brasileira já nasceria devendo R$ 50 mil por causa da dívida pública. A divisão matemática da dívida pela população pode produzir valor semelhante, mas dívida pública não representa obrigação pessoal individual de cada brasileiro.
Também houve imprecisão na informação apresentada sobre a tributação das bets.
Cury trouxe assuntos importantes e pouco explorados pelos adversários, especialmente inteligência artificial, automação, saúde mental e transformação tecnológica.
Seu diferencial é justamente pensar fora da política tradicional.
Sua fragilidade é demonstrar como essas ideias seriam transformadas em programas governamentais com orçamento, legislação, equipes, metas e articulação com o Congresso Nacional.
NINGUÉM SAIU VENCEDOR ABSOLUTO
Depois das seis entrevistas, seria simplista apontar um vencedor.
Cada candidato entrou no estúdio com desafios diferentes.
-Zema precisava demonstrar que sua experiência administrativa e sua agenda liberal poderiam funcionar nacionalmente.
-Caiado precisava transformar os resultados de Goiás em credencial para governar o Brasil.
-Renan precisava utilizar a exposição nacional para tornar sua candidatura conhecida.
-Lula precisava defender seu governo e simultaneamente apresentar razões para conquistar um novo mandato.
-Flávio precisava mostrar que existe uma candidatura presidencial além do sobrenome Bolsonaro.
-E Augusto Cury precisava provar que boas ideias e capacidade de comunicação podem ser transformadas em competência administrativa.
Nenhum conseguiu cumprir integralmente essa missão.
Uma análise publicada após o encerramento das sabatinas destacou justamente o nervosismo, as generalidades e as dificuldades dos candidatos quando submetidos a perguntas mais incisivas. Também concluiu que não houve um grande vencedor nem alguém completamente destruído politicamente pelas entrevistas.
O GRANDE VENCEDOR PODE TER SIDO O ELEITOR
Há, entretanto, um aspecto positivo.
As entrevistas obrigaram os presidenciáveis a sair do ambiente controlado das campanhas.
Nas redes sociais, candidatos escolhem o assunto, editam vídeos, selecionam perguntas e publicam apenas aquilo que interessa à estratégia eleitoral.
Em uma entrevista ao vivo e sob pressão, isso muda.
Contradições aparecem. Números são questionados. Promessas precisam ser explicadas. Experiências administrativas são confrontadas com resultados.
E justamente aí está o valor democrático desse tipo de sabatina.
O eleitor não deveria escolher seu candidato apenas por quem apresentou a melhor frase, demonstrou maior tranquilidade ou venceu determinado confronto com os entrevistadores.
É preciso observar algo mais profundo: quem conhece efetivamente os problemas do Brasil e apresenta soluções capazes de funcionar na realidade.
Uma proposta presidencial precisa responder perguntas básicas: quanto custa? De onde virá o dinheiro? Depende do Congresso? É constitucional? Qual será o prazo? Quais serão as prioridades? E quais resultados poderão ser cobrados depois?
Nesse quesito, as seis entrevistas mostraram que ainda existe uma distância considerável entre o discurso eleitoral e o detalhamento necessário para governar um país da dimensão do Brasil.
As sabatinas terminaram.
Agora, começa uma fase ainda mais importante: comparar não apenas personalidades e discursos, mas projetos de país.
Porque vencer uma entrevista pode produzir manchetes e votos.
Governar o Brasil exige muito mais.
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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro expõe a polarização política e os perigos do fanatismo religioso no Brasil
Confronto na TV Globo revelou diferenças entre os candidatos, mas também mostrou como a intolerância, a manipulação da fé e a falta de pensamento crítico comprometem o debate democrático.

JC Oliveira
O último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de sexta-feira, 23 de outubro, pela TV Globo, foi mais do que um confronto entre dois projetos políticos. Representou um retrato de um Brasil profundamente dividido, onde a paixão partidária frequentemente supera a razão e onde, lamentavelmente, a religião tem sido utilizada como instrumento de influência eleitoral.
Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro abordou temas fundamentais, como economia, segurança pública, saúde, endividamento das famílias e programas sociais. Entretanto, as propostas dividiram espaço com acusações pessoais, provocações e disputas sobre acontecimentos do passado.
Lula demonstrou maior domínio da experiência administrativa, utilizando realizações de seus governos para defender suas posições e confrontar o adversário. Flávio Bolsonaro, por sua vez, procurou apresentar uma imagem mais moderada, explorando principalmente o custo de vida, a segurança pública e as dificuldades financeiras enfrentadas pela população.
O presidente mostrou maior desenvoltura em determinados momentos, especialmente ao questionar o histórico político do adversário. Flávio conseguiu levantar problemas reais do cotidiano brasileiro, mas nem sempre apresentou respostas suficientemente detalhadas sobre como pretende solucioná-los. Ambos recorreram a ataques que reduziram o espaço para uma discussão mais aprofundada sobre o futuro do país.
A avaliação de desempenho não foi consensual entre os analistas. Enquanto a Folha de S.Paulo apontou vantagem de Lula, outros comentaristas destacaram a postura mais controlada de Flávio. A checagem da Agência Lupa também identificou declarações problemáticas dos dois candidatos.
Quando a fé deixa de orientar e passa a impedir o pensamento
Entretanto, existe uma questão ainda mais preocupante do que o desempenho dos presidenciáveis: o fanatismo religioso que contamina parte da discussão política brasileira.
A religião, quando fundamentada no amor, na solidariedade, na justiça e no respeito ao próximo, representa uma importante contribuição para a sociedade. O problema começa quando a fé é transformada em instrumento de submissão política e líderes religiosos passam a apresentar candidatos como representantes exclusivos de Deus.
Nenhum político possui procuração divina para governar o Brasil. Nenhum partido é proprietário da verdade, da moralidade ou dos valores cristãos.
O fanatismo religioso produz ignorância política quando substitui o conhecimento pela obediência cega, a investigação dos fatos pela repetição de discursos e o pensamento crítico pela crença de que questionar determinado candidato significa contrariar a vontade de Deus.
É importante distinguir religiosidade de fanatismo. Milhões de brasileiros encontram na fé inspiração para exercer a cidadania com responsabilidade. O problema não está em acreditar em Deus, mas em abandonar a capacidade de pensar por conta própria em nome de uma liderança política ou religiosa.
Quando um cidadão deixa de analisar propostas, investigar denúncias, comparar resultados administrativos e cobrar responsabilidades porque acredita que seu candidato foi escolhido por Deus, a democracia perde um eleitor consciente e ganha um seguidor incondicional.
E isso pode acontecer tanto à direita quanto à esquerda, embora a instrumentalização explícita da identidade religiosa tenha assumido características particularmente marcantes em determinados movimentos políticos conservadores.
O perigo de transformar políticos em figuras sagradas
Uma das maiores contradições da política brasileira está na facilidade com que determinados grupos defendem valores religiosos enquanto relativizam comportamentos que contrariam os próprios princípios que afirmam seguir.
Pregam o amor, mas disseminam o ódio. Defendem a família, mas toleram ofensas pessoais. Falam em verdade, mas compartilham informações falsas quando elas favorecem seus candidatos. Exigem honestidade dos adversários, mas encontram justificativas para irregularidades praticadas por seus aliados.
Essa contradição não pertence exclusivamente a uma corrente política. Ela revela o perigo da idolatria partidária, especialmente quando revestida de linguagem religiosa.
O eleitor precisa compreender que Lula não está acima das críticas e Flávio Bolsonaro também não. Ambos devem ser avaliados por suas propostas, trajetórias, decisões e compromissos com a Constituição.
A democracia não necessita de salvadores da pátria. Necessita de governantes competentes, instituições fortes, liberdade de imprensa e cidadãos capazes de fiscalizar o poder.
A ignorância política interessa a quem deseja controlar
O fanatismo não surge apenas da falta de informação. Muitas vezes, ele se alimenta da recusa deliberada em aceitar informações que contrariem convicções pessoais.
As redes sociais agravaram esse fenômeno ao criar ambientes nos quais as pessoas recebem continuamente mensagens que confirmam aquilo em que já acreditam. Quando discursos políticos são associados ao medo religioso, à ameaça contra a família ou à ideia de uma batalha entre o bem e o mal, o debate racional fica ainda mais difícil.
Nesse ambiente, adversários deixam de ser vistos como cidadãos com opiniões diferentes e passam a ser tratados como inimigos que precisam ser derrotados a qualquer custo.
O resultado é uma sociedade mais intolerante, vulnerável à desinformação e menos preparada para discutir questões concretas, como inflação, emprego, educação, saúde, segurança e desenvolvimento econômico.
A fé não deveria ser usada para impedir perguntas. Pelo contrário, uma sociedade verdadeiramente comprometida com valores éticos deve estimular a busca pela verdade, a responsabilidade individual e o respeito às diferenças.
O Brasil precisa de eleitores, não de discípulos políticos
O debate da Globo ofereceu aos brasileiros mais uma oportunidade de comparar os dois candidatos que disputam a Presidência da República neste segundo turno. Mas a decisão eleitoral não deveria depender apenas de quem falou mais alto, apresentou a frase mais impactante ou conseguiu constranger o adversário.
É necessário avaliar quem possui propostas viáveis, capacidade administrativa, compromisso democrático e condições de enfrentar os problemas estruturais do país.
Também é fundamental reconhecer que a liberdade religiosa e a liberdade política são direitos que devem caminhar juntos, sem que uma seja utilizada para anular a outra.
Deus não tem partido político. A fé não substitui a inteligência. E a democracia não pode ser refém do fanatismo.
O Brasil continuará dividido enquanto milhões de cidadãos acreditarem que seu candidato representa o bem absoluto e que o adversário simboliza todo o mal.
Mais importante do que descobrir quem venceu o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro é compreender que o verdadeiro vencedor de uma eleição deve ser o povo brasileiro.
E um povo somente exerce plenamente sua soberania quando aprende a pensar, questionar e decidir sem entregar sua consciência a políticos, líderes religiosos ou influenciadores.
Afinal, a fé pode iluminar a consciência, mas jamais deveria apagar a razão.
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Pesquisa Quaest: Flávio tem 45% e Lula 44%; diferença diminui a quatro dias da eleição
Levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) aponta empate técnico entre os candidatos à Presidência da República. Segundo turno acontece no próximo domingo, 25 de outubro.

A disputa pela Presidência da República segue acirrada na reta final das eleições de 2026. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 21 de outubro, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, aparece com 44%. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento revela uma redução da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro em relação à pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro. Na ocasião, o candidato do PL registrava 46%, contra 44% de Lula. Agora, Flávio oscilou um ponto para baixo, enquanto o presidente manteve seu percentual, reduzindo a distância entre os dois candidatos de dois para um ponto percentual.
Segundo a Quaest, 9% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum dos candidatos, enquanto 2% permanecem indecisos. Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro aparece com 50,56%, contra 49,44% de Lula.
Outro dado importante é o índice de rejeição dos presidenciáveis. Flávio Bolsonaro registra 52% de rejeição, enquanto Lula aparece com 47%. Em comparação com o levantamento anterior, a rejeição ao presidente caiu de 53% para 47%, enquanto a do senador passou de 54% para 52%.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem os nomes dos candidatos, Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, ambos com 40% das intenções de voto. Nesse cenário, 14% dos eleitores ainda se declaram indecisos.
Disputa promete emoção até o último voto
A quatro dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro, os números demonstram o equilíbrio da corrida presidencial. Embora Flávio Bolsonaro mantenha uma pequena vantagem numérica, a diferença está dentro da margem de erro, impossibilitando apontar um favorito estatisticamente definido.
O cenário reforça a importância dos últimos dias de campanha, quando os candidatos intensificam suas agendas, participações em debates e mobilizações nas redes sociais para conquistar os eleitores ainda indecisos.
A nova pesquisa é a primeira realizada pela Quaest após o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro promovido pela TV Bandeirantes no último domingo, dia 18.
Metodologia
A pesquisa Quaest foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo. Foram entrevistados 2.154 eleitores, com 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro, em diferentes regiões do país. O levantamento apresenta margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
Com o segundo turno se aproximando, o Brasil chega à decisão presidencial em um cenário de forte polarização e equilíbrio nas intenções de voto. O resultado definitivo será conhecido nas urnas, no próximo domingo.
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Eleições 2026: 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo
Sudeste concentra maior fatia do eleitorado, enquanto Norte registra maior crescimento proporcional desde 2022; votação mobiliza mais de 563 mil urnas em todo o país

Mais de 158,7 milhões de brasileiras e brasileiros estão aptos a votar neste domingo (4), no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são exatamente 158.745.463 eleitoras e eleitores — 2,29 milhões a mais do que em 2022, crescimento de 1,46%. O eleitorado está distribuído por 5.571 municípios brasileiros e 186 cidades no exterior.
A dimensão do pleito também se reflete na estrutura preparada pela Justiça Eleitoral. Ao todo, serão 517.206 seções eleitorais, organizadas em 2.641 zonas eleitorais, com 563.910 urnas eletrônicas disponíveis para a votação.
Seis escolhas na urna
Em 2026, estão em disputa os cargos de presidente e vice-presidente da República; governador e vice-governador; senador; deputado federal; e deputado estadual ou distrital. Serão escolhidos 27 governadores e vice-governadores, 54 senadores e 513 deputados federais, além dos deputados estaduais e distritais, cujo número varia conforme cada unidade da Federação. Eventual segundo turno para presidente e governador está marcado para 25 de outubro.
Sudeste reúne quatro em cada dez eleitores
O Sudeste continua sendo a região com a maior concentração de eleitoras e eleitores do país. São 66,3 milhões de pessoas aptas a votar, o equivalente a 41,78% do eleitorado nacional.
Apesar da liderança, a região foi a única entre as cinco regiões brasileiras a registrar redução no número de eleitores em relação a 2022. Naquele ano, eram 66,7 milhões, ou 42,64% do eleitorado. A queda foi de cerca de 378 mil pessoas, uma redução proporcional de 0,56%.
O Nordeste aparece em segundo lugar, com 43,5 milhões de eleitores e 27,42% do total nacional. Na sequência estão Sul, com 22 milhões (14,40%); Norte, com 13,1 milhões (8,26%); e Centro-Oeste, com quase 12 milhões (7,56%).
São Paulo permanece como o maior colégio eleitoral do Brasil, com 34,1 milhões de eleitoras e eleitores, seguido por Minas Gerais, com 16,4 milhões, e Rio de Janeiro, com 12,9 milhões. Bahia e Paraná completam a lista dos cinco maiores eleitorados estaduais. Juntos, os cinco estados concentram 83,3 milhões de pessoas, 52,45% do eleitorado nacional.
Norte cresce acima da média nacional
Embora concentre uma parcela menor do eleitorado, o Norte foi a região que mais cresceu proporcionalmente desde 2022. O número de eleitores passou de 12,56 milhões para 13,11 milhões, aumento de 548,9 mil pessoas, ou 4,37%.
O avanço regional é puxado por estados que apresentaram algumas das maiores taxas de crescimento do país. Roraima teve alta de 9,63%, seguido por Tocantins, com 8,07%.
Também chama atenção o crescimento do eleitorado brasileiro no exterior. São 918.876 pessoas habilitadas a votar fora do país, 221.798 a mais do que em 2022, quando eram 697.078. O aumento foi de 31,82%.
Mulheres são maioria e eleitorado está mais maduro
As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores. Em 2026, são 83,8 milhões, ou 52,84% do eleitorado, enquanto os homens somam 74,8 milhões. Em 2022, as mulheres representavam 52,65% dos aptos a votar.
Outro movimento observado pelo TSE é o aumento da participação das faixas etárias mais velhas. O número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 32,8 milhões, em 2022, para 37,4 milhões em 2026. A participação desse grupo subiu de 21,02% para 23,60% do eleitorado.
Entre as faixas etárias, o maior contingente está entre 40 e 44 anos, com quase 16 milhões de eleitores. Já os jovens de até 18 anos somam 3,57 milhões, ante 4,17 milhões em 2022.
A biometria também avançou. O cadastro alcança 141,3 milhões de eleitoras e eleitores, ou 89,01% do total. Em 2022, o índice era de 75,51%.
Mais de 563 mil urnas estarão em operação
Para atender ao eleitorado, a Justiça Eleitoral colocará em funcionamento 563.910 urnas eletrônicas. Serão utilizados quatro modelos: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013.
As versões mais recentes — UE2022 e UE2020 — representam 77% dos equipamentos. Segundo o TSE, apesar das diferenças de design, os recursos são os mesmos em todas as versões.
A votação ocorre das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todos os estados e no Distrito Federal. Neste primeiro turno, o eleitorado escolherá candidatos para seis cargos. A sequência começa pelo deputado federal, passa pelo deputado estadual ou distrital, pelas duas vagas de senador, governador e, por último, presidente da República.
Fachin pede voto com “serenidade, consciência e confiança”
Às vésperas da votação, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou uma nota sobre as eleições. No documento, ele destacou a participação dos mais de 158 milhões de eleitores e o papel da Justiça Eleitoral na organização do pleito.
“Convocamos os mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores a exercer o direito ao voto com serenidade, consciência e confiança nas instituições”, afirmou Fachin.
O ministro também ressaltou que o voto é, em sua avaliação, “a expressão máxima da cidadania” e reconheceu o trabalho dos tribunais eleitorais e dos mais de 1,9 milhão de mesárias e mesários envolvidos na eleição.
Com eleitorado maior que o registrado em 2022, mudanças na distribuição regional e uma estrutura de votação que mobiliza centenas de milhares de urnas e seções eleitorais, o Brasil chega ao primeiro turno de 2026 com um dos maiores processos de mobilização eleitoral do mundo. Fonte: Brasil 61
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