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ECONOMIA

Não é só o corpo que sente: entenda como o frio impacta a rede elétrica

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Contração térmica de cabos e picos de demanda local desafiam a estabilidade do sistema nos meses de baixa temperatura

Goiânia, 11 de maio de 2026  – Com a chegada das frentes frias em Goiás, o comportamento do sistema elétrico estadual passa por transformações que vão além do simples hábito de consumo. Embora o consumo global de energia tenda a não sofrer elevações bruscas, devido à redução do uso de ar-condicionado, a rede elétrica enfrenta desafios físicos e operacionais específicos, como a contração térmica de materiais e a manutenção da carga em áreas rurais.

Diferente do verão, onde a carga é constante, o período frio exige um monitoramento rigoroso do Centro de Operações Integradas (COI) da Equatorial Goiás para gerenciar o “efeito compensação”: enquanto equipamentos de refrigeração são desligados, entram em cena os chuveiros elétricos e aquecedores em modo máximo, além dos sistemas de irrigação por pivô na zona rural, que operam com maior intensidade devido ao tempo seco.

A física da rede: contração de cabos

Um dos pontos mais críticos para a engenharia da distribuidora é o comportamento dos materiais condutores sob estresse térmico.

“Os materiais, tanto cabos quanto isoladores, estão sujeitos a mudanças de características por conta da temperatura. Os cabos, por exemplo, acabam contraindo com o frio, o que altera a chamada ‘flecha’, ou curvatura, da fiação”, explica o gerente do COI da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima.

Essa alteração física é monitorada pela companhia, que prepara a rede para suportar essas oscilações. Como essa variação depende da temperatura local e da carga de cada circuito, a Equatorial utiliza tecnologias como a termovisão, que permite identificar pontos de calor ou tensão excessiva nos materiais. Esse monitoramento preventivo faz parte do manual de manutenção técnica da concessionária, que realiza inspeções constantes para garantir que a rede suporte as variações térmicas sem perda de qualidade ou interrupções.

Impacto rural e o “efeito manada” urbano

A estabilidade do sistema em Goiás durante o frio também é sustentada pelo setor produtivo. Como o período coincide com a estiagem, os pivôs de irrigação na zona rural mantêm a demanda de energia elevada, compensando a queda que ocorreria naturalmente nas cidades.

Já no ambiente urbano, o desafio se concentra na simultaneidade do uso de equipamentos. O sistema automatizado da Equatorial realiza manobras e remanejamentos de carga para que o aumento do uso de aparelhos de alta potência no início da noite, período classificado pelo COI como o mais crítico do dia pela alta concentração de demanda, não gere sobrecarga nos transformadores de bairro.

“O monitoramento deve ser constante para garantir o fornecimento adequado, visto que, quando a carga oscila, os equipamentos da rede se comportam automaticamente para garantir a estabilidade”, reforça Vinicyus.

Fiação interna: o risco de incêndio

Um alerta fundamental do setor operacional diz respeito à infraestrutura das residências. O aumento da potência exigida pelos chuveiros no modo inverno pode sobrecarregar fiações antigas ou mal dimensionadas, algo que o disjuntor da casa sinaliza ao “cair” constantemente.

“Muitas vezes o disjuntor desarma e o cliente o troca por um de maior capacidade para resolver o incômodo. Isso é um erro grave. Se o disjuntor é aumentado sem revisar a fiação, o fio, que está dentro da parede, começa a se degradar pelo calor excessivo, o que pode causar um incêndio”, alerta o gerente do COI da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima.

Monitoramento e Segurança:

* Automação:  O COI monitora em tempo real e intervém apenas quando o sistema automatizado de remanejamento de carga atinge o limite.

* Fiação Interna:  O disjuntor desarmando é um aviso de que a fiação interna não suporta o aparelho; nunca substitua o disjuntor por um maior sem orientação técnica.

* Manutenção Preventiva:  A Equatorial Goiás mantém o plano de retorno de manobras de carga constante para garantir a estabilidade tanto na área urbana quanto na rural.

Sobre a Equatorial Goiás

A Equatorial Goiás integra o Grupo Equatorial, holding brasileira do setor de utilities e o terceiro maior grupo de distribuição de energia do país. Em Goiás, atende cerca de 3,5 milhões de unidades consumidoras em 237 municípios, abrangendo 98,7% do território estadual.

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Estudo do Sebrae Goiás mostra o que a transição energética muda para os pequenos negócios

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Publicação reúne dados do setor no mundo, no Brasil e em Goiás, explica por que a demanda por eletricidade tende a crescer e aponta duas frentes de oportunidade para micro e pequenas empresas

A produção de eletricidade em Goiás cresceu 37% de 2023 para 2024, bem acima do ritmo do Centro-Oeste (14%) e do Brasil (6%). O dado está no estudo “Energias Renováveis e Pequenos Negócios – da Transição Global às Oportunidades Locais”, publicado pelo Sebrae Goiás em setembro, que analisa a transição energética e o que ela significa para as micro e pequenas empresas do estado.

Produzido pela Unidade de Gestão Estratégica (UGE), o levantamento reúne dados de instituições como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), além de entrevistas com empresários que já adotaram a energia solar e com especialistas do setor. Coordenadora do estudo, a analista Polyanna Marques Cardoso conta que o objetivo foi entender como a transição energética afeta a economia e o que ela muda para os pequenos negócios. “A principal contribuição para as micro e pequenas empresas é transformar informações técnicas e de mercado em inteligência prática para apoiar decisões e identificar novas oportunidades de negócio na cadeia das energias renováveis”, afirma.

A transição energética é a substituição de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, por fontes limpas e renováveis, como a solar, a eólica, a hidrelétrica e a biomassa. O movimento ganhou velocidade. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), citada no estudo, a capacidade mundial de geração renovável deve mais que dobrar até 2030, quando essas fontes devem responder por quase 45% da eletricidade gerada no planeta. A energia solar lidera a expansão: respondeu por cerca de 80% do aumento da capacidade instalada entre 2019 e 2025.

O Brasil parte de uma posição favorável. As fontes renováveis respondem por 85% da oferta interna de eletricidade do país, também segundo a IEA, o que, de acordo com o estudo, coloca o Brasil entre os dez países com maior participação dessas fontes na matriz elétrica.

Goiás em expansão

Para Polyanna, o crescimento de 37% na produção mostra que Goiás vem assumindo posição de destaque na expansão do setor energético. A base da matriz estadual ainda é a água: as hidrelétricas respondem por 82% da energia gerada no estado, e a solar já chega a 6%, segundo a Fieg. Casas e empresas também passaram a produzir a própria energia. Até 2024, Goiás somava 158.267 unidades de geração distribuída conectadas à rede, modelo em que a eletricidade é gerada no próprio local de consumo ou perto dele.

As fontes com mais espaço para crescer, segundo a analista, são a solar e a biomassa, energia obtida de materiais orgânicos como bagaço de cana, resíduos agrícolas e dejetos de animais. “As duas apresentam elevado potencial de expansão devido à alta incidência solar, à forte base agroindustrial e à ampla disponibilidade de resíduos orgânicos para produção de energia”, afirma a analista. De biogás, produzido a partir desses resíduos, o estado tem 122 plantas, com capacidade de 86,46 milhões de metros cúbicos por ano e potencial estimado de até 2,2 bilhões de metros cúbicos anuais, segundo levantamento do governo estadual e do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), citado no estudo. Já a eólica praticamente não existe em Goiás, porque os ventos são fracos na maior parte do ano.

O estudo também explica por que a procura por energia elétrica tende a crescer. O consumo de eletricidade no Brasil aumentou 5,5% em 2024, segundo a EPE, e o documento aponta fatores que devem sustentar esse movimento: eventos climáticos extremos, que ampliam o uso de ar-condicionado e de irrigação, a eletrificação dos transportes, a automação da indústria, a expansão da inteligência artificial e dos data centers e a cobrança de mercados e consumidores por práticas sustentáveis. É o que a publicação chama de “era da eletricidade”, em que a energia elétrica se torna a base das novas tecnologias e substitui combustíveis fósseis em setores tradicionais.

Duas frentes para os pequenos negócios

Para as micro e pequenas empresas, o estudo identifica dois caminhos. “A primeira frente envolve a adoção de soluções para aumentar a eficiência energética e reduzir custos operacionais, como energia solar, gestão do consumo, armazenamento e aproveitamento de resíduos. A segunda consiste em possibilidades na atuação dessas empresas como fornecedoras de produtos, serviços e tecnologias para o segmento”, resume Polyanna.

A conclusão da publicação é que a energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser um ativo estratégico para os negócios. Para ajudar o empresário a enxergar essas possibilidades, o estudo explica como funciona o setor elétrico brasileiro e as formas de contratar energia, detalha as fontes renováveis mais presentes em Goiás, reúne soluções práticas para reduzir o gasto com energia e mapeia novos modelos de negócio no setor.

O Sebrae Goiás apoia as duas frentes por meio do Projeto Sebrae Energia (https://www.sebraego.com.br/sebrae-energia/), que, segundo Polyanna, está à disposição “tanto do empresário que quer reduzir custos e tornar sua empresa mais eficiente quanto daquele que deseja empreender no setor de energias renováveis”.

O estudo pode ser baixado gratuitamente no Observatório Sebrae:

https://www.sebraego.com.br/observatorio-sebrae

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MBRF abre inscrições para Programa de Estágio em Agropecuária com três vagas em Goiás

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Iniciativa com vivência em toda a cadeia produtiva já efetivou cerca de 50% dos participantes desde 2022, e oferece oportunidade de desenvolvimento para estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia

São Paulo, setembro de 2026 – A MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, detentora de marcas icônicas como Sadia, Perdigão e Qualy, está com inscrições abertas para o Programa de Estágio em Agropecuária 2027, que oferece três vagas em Goiás, sendo duas em Rio Verde e uma em Mineiros. As oportunidades são destinadas a estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, com início previsto para janeiro de 2027.

Diferente de estagiar em áreas corporativas e de operação tradicionais, o programa oferece uma imersão prática e técnica em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o acompanhamento da rotina dos animais em propriedades rurais integradas e a vivência dos processos agropecuários junto a extensionistas, sanitaristas e supervisores até visitas a fábricas de ração, incubatórios e frigoríficos. Além disso, os participantes contam com uma trilha contínua de desenvolvimento com treinamentos exclusivos pela Academia MBRF.

O programa apresenta um alto índice de efetivação: 50% dos participantes foram efetivados desde 2022, reforçando a iniciativa como uma das portas de entrada para profissionais que desejam construir uma trajetória na MBRF e seguir desenvolvendo sua carreira na companhia.

“O Programa de Estágio em Agropecuária foi criado para proporcionar aos estudantes uma vivência completa e real do dia a dia da operação Agropecuária, com acompanhamento de mentores e especialistas que contribuem para seu desenvolvimento técnico e profissional. Essa vivência permite que os talentos desenvolvam conhecimentos técnicos da sua área de atuação, conheçam diferentes etapas do ciclo produtivo e ampliem sua visão sobre a área, criando uma base para futuras oportunidades de carreira na MBRF”, afirma Thiago Pereira, Diretor de Gente e Processos Globais de RH da MBRF.  

Pré-requisitos e benefícios

Para participar, os candidatos devem ter mais de 18 anos, estar matriculados em Medicina Veterinária, Agronomia ou Zootecnia e cursando o último semestre da graduação no primeiro semestre de 2027 (com previsão de formatura entre junho e julho de 2027), além de ter disponibilidade para estagiar oito horas por dia, de janeiro a junho de 2027. O programa oferece bolsa-auxílio de R$ 2.574,00, além de um amplo pacote de benefícios. O conhecimento de outros idiomas é considerado um diferencial no processo seletivo.

As inscrições podem ser realizadas até 12 de outubro de 2026 pelo site talents.mbrf.com. A seleção dos candidatos será realizada em outubro, e o início do programa está previsto para janeiro de 2027.

Sobre a MBRF      

A MBRF é uma das maiores empresas globais de alimentos, presente em 117 países e com um portfólio multiproteínas que inclui carne bovina, suína e de aves, produtos industrializados, pratos prontos e pet food. Com marcas fortes e icônicas como Sadia, Perdigão, Sadia Bassi, Perdigão Montana, Perdigão na Brasa, Qualy, Banvit, Paty, a companhia reúne 130 mil colaboradores pelo mundo e produz cerca de 8 milhões de toneladas de alimentos por ano, atendendo mais de 425 mil clientes e milhões de consumidores em todo o mundo.  A MBRF combina expertise, inovação e eficiência em uma plataforma 100% integrada, guiada por simplicidade, excelência e práticas sustentáveis. A empresa acompanha tendências e hábitos dos consumidores para oferecer o portfólio mais completo do mercado, com qualidade, competitividade e responsabilidade

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Cachaça goiana ganha relevância e tem grande potencial de crescimento em mercado premium

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Boletim do Sebrae aponta oito tendências e caminhos para agregar valor, ampliar mercados e fortalecer o segmento no estado

A cachaça vive um novo momento. Mais do que uma bebida tradicional, ela passa a ser reconhecida como expressão de território, cultura e experiência – e é nesse movimento que o Sebrae Goiás enxerga espaço para o pequeno produtor. Lançado em setembro pela Unidade de Gestão Estratégica (UGE) do Sebrae Goiás, o Boletim de Tendências – Cachaçarias reúne oito tendências que devem seguir moldando o setor e mostra como cada uma delas pode virar valor, mercado e renda para as cachaçarias goianas. O ponto de partida é um contraste: Goiás tem uma cadeia forte ligada à cana-de-açúcar, mas o segmento formal de cachaça reúne 49 estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e emprega aproximadamente 230 pessoas, segundo dados da Rais/Caged de 2025.

A explicação para o tamanho modesto do mercado começa na vocação da própria cana goiana, explica a analista da UGE Polyanna Marques Cardoso, responsável pelo estudo. “A cana-de-açúcar em Goiás é fortemente direcionada para a produção de açúcar, etanol e energia, atividades de grande escala e elevada produtividade, enquanto a cachaça depende de alambiques, mão de obra especializada, construção de marca e comercialização diferenciada”, avalia. O boletim serve tanto para quem já tem uma cachaçaria quanto para quem planeja entrar no segmento.

A esse fator estrutural soma-se outro, que o boletim aponta como o principal desafio da cadeia: a informalidade, que limita o acesso a mercados, crédito, certificações e canais de distribuição. Não há levantamento sobre quantos produtores atuam sem registro no estado, mas o Sebrae não tem dúvida de que são muitos. “Há muito mais cachaçarias instaladas em Goiás do que as 49 registradas no Mapa. Então, o primeiro alerta que o próprio boletim trouxe foi a importância da sensibilização desses produtores para se profissionalizar. O ambiente de mercado precisa ser mais regular”, avalia Francisco Lima, gerente da UGE.

Por se tratar de bebida enquadrada na legislação de alimentos, a produção e a comercialização de cachaça exigem registro do estabelecimento e de cada produto junto ao Mapa, com rotulagem e identificação em conformidade. Sem isso o produtor se expõe a autuações, apreensão de produtos e prejuízos à reputação, além de perder negócios.

“A informalidade impede a cachaçaria de migrar de uma lógica de venda baseada em preço para uma lógica de venda baseada em valor. Enquanto uma cachaça informal compete principalmente pelo preço local, uma cachaça formalizada pode competir por origem, qualidade, experiência, turismo, premiações e exportação, o que possibilita margens muito maiores”, resume Polyanna.

É justamente essa migração que as tendências do boletim descrevem: a cachaça como bebida versátil, original e premium; a convergência entre gastronomia, turismo e cachaça; a reputação construída por validação externa, com prêmios e certificações; o uso de madeiras brasileiras nativas como assinatura sensorial; a exportação de nicho e a internacionalização; as bebidas prontas para consumo (RTD); a inteligência de dados e a IA no relacionamento com clientes; e a Indicação Geográfica (IG) como ativo coletivo do território.

Com relação à IG, o boletim destaca a Indicação de Procedência da Cachaça de Orizona, que colocou Goiás no grupo de territórios brasileiros reconhecidos pela produção da bebida. Em 2026, o país soma nove IGs ligadas à cachaça: sete Indicações de Procedência: Região de Salinas (MG), Microrregião Abaíra (BA), Morretes (PR), Viçosa do Ceará (CE), Areia (PB), Orizona (GO) e Circuito das Águas Paulista (SP), e duas Denominações de Origem, Paraty (RJ) e Luiz Alves (SC).

Além de identificar de onde vem o produto, a IG organiza produtores, preserva saberes tradicionais e fortalece a reputação coletiva, abrindo caminho para ações integradas de promoção, comercialização e turismo de experiência. Experiências de outros territórios mostram o potencial: em Areia, a cachaça está associada a eventos e geração de negócios; em Morretes, produtores com IG já atuam no mercado internacional; e Paraty foi o primeiro destilado brasileiro a conquistar uma Denominação de Origem.

O selo ganha uma dimensão extra com o Acordo de Parceria Estratégica entre Mercosul e União Europeia, em aplicação no Brasil desde maio de 2026. Além de reconhecer e proteger a denominação “Cachaça” como produto genuinamente brasileiro no mercado europeu, o acordo prevê a eliminação gradual, em quatro anos, da tarifa de importação para a bebida engarrafada em recipientes de até dois litros, hoje em torno de 8%. “Essa é uma oportunidade especialmente relevante para Orizona, cuja Indicação de Procedência pode funcionar como um passaporte para mercados que valorizam tanto a história quanto a qualidade do produto”, avalia Polyanna.

Os números nacionais mostram o tamanho do espaço a ocupar. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Mapa, o Brasil contabilizou em 2025: 1.538 estabelecimentos elaboradores em 844 municípios; 8.379 produtos registrados; produção de 234,4 milhões de litros; exportação de 7,95 milhões de litros para 76 destinos, com receita de US$ 17,07 milhões – o equivalente a cerca de 3,4% do que foi produzido.

A baixa presença internacional tem várias causas somadas. O mercado doméstico é amplo e absorve grande parte da produção, o que permite a muitos produtores prosperar sem encarar os desafios da exportação. A cachaça ainda tem reconhecimento limitado como destilado premium em diversos mercados, sobretudo diante de whisky, tequila e rum. E há a barreira prática: adequação documental, regulatória, mercadológica e logística, além da dificuldade de pequenos produtores alcançarem escala, padronização e capacidade de atender uma demanda contínua.

A resposta que o boletim propõe não é competir por volume, e sim por nicho: mercados que valorizam produtos artesanais, de origem definida e produção limitada, acessados por feiras, rodadas de negócios e importadores de bebidas premium. “O acordo com a União Europeia amplia oportunidades para novos produtores, desde que estejam atentos às regulamentações e participem de feiras e eventos internacionais”, pontua Francisco Lima. Há um bônus, ainda: a presença internacional fortalece a imagem da marca e aumenta sua credibilidade também no mercado nacional.

Além da compilação de dados de mercado, o boletim traz análises de como pequenos negócios no setor podem potencializar seus negócios de forma a concorrer com competividade. Entre as orientações estão digitalização, networking, marketing com storytelling, aderência à tendência de convergência entre gastronomia, turismo e cachaça, e diversificação de portfólio.

O Boletim pode ser baixado no Observatório Sebrae: https://www.sebraego.com.br/observatorio-sebrae/

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