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Lula e os papas: uma trajetória de encontros entre fé, política e diplomacia

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Por Oníria Guimarães

Desde seus tempos como sindicalista até os mandatos como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma relação com a Igreja Católica que extrapola o religioso — envolvendo valores como justiça social, combate à pobreza, meio ambiente e diplomacia. Os encontros com papas refletem essa combinação de espiritualidade, política internacional e representação simbólica. A seguir, um panorama dos encontros mais marcantes do presidente com os quatro pontífices: João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão XIV.

Encontro com João Paulo II

Esse encontro aconteceu ainda na década de 1980, antes de Lula se tornar presidente, quando ele era líder sindical. Em uma das visitas de João Paulo II ao Brasil, em 1980, Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, participou de um encontro com o Papa no Estádio do Morumbi, em São Paulo. O presidente lembrou que enfrentou chuva, barreiras de segurança e esperou horas para conseguir apertar a mão do papa que se tornou santo.

Esse foi considerado um momento simbólico de visibilidade para Lula antes de assumir cargos públicos maiores. João Paulo II falava com respaldo popular, e o contato deu projeção para pautas sociais como fome, justiça e desigualdade, temas que viriam a ser centrais em sua trajetória política. 

Encontro com Bento XVI

Em 2008, durante o segundo mandato de Lula como presidente, ele teve um breve encontro com Bento XVI. Foi uma audiência privada de aproximadamente 24 minutos. Lula solicitou ao Papa que, em seus pronunciamentos, abordasse a crise econômica global, afirmando que a situação afetava mais fortemente os pobres. Também se debateram políticas sociais e os desafios enfrentados pelas camadas mais vulneráveis da população.

Esse encontro mostrou mais uma vez a preocupação de Lula em articular preocupações nacionais com figuras globais do catolicismo, aproveitando o alcance moral da Igreja para dar visibilidade internacional às problemáticas brasileiras. A crise econômica global impactava o Brasil de modo direto, sobretudo na pobreza, desemprego e desvalorização da moeda.

Encontro com o Papa Francisco

O encontro mais recente entre Lula e o Papa Francisco foi em junho de 2023, quando o presidente e sua esposa Janja foram recebidos por Francisco no Vaticano.

Em outros momentos Lula teve conversas mais informais ou participações em eventos internos da Igreja ou diplomáticos. Nesses momentos Lula falou sobre a guerra na Ucrânia, sobre desigualdade social, combate à pobreza, meio ambiente e proteção aos povos indígenas. A reciprocidade entre os dois foi visível na troca de presentes simbólicos, Lula entregou ao Papa uma gravura de artista brasileiro e em agradecimento, o papa ofereceu uma obra em bronze com a mensagem “A paz é uma flor frágil”.

O Papa Francisco sempre representou uma ponte entre fé e causas humanitárias contemporâneas. Nesses encontros com o Francisco, Lula parece consolidar tanto sua imagem internacional quanto reforçar sua agenda doméstica sobre justiça social, meio ambiente e paz. Vale destacar que o diálogo frequente do presidente Lula com os Pontífices acentua que a Igreja não é apenas um ponto de espiritualidade, mas também diplomático e moral com peso em debates globais.

Encontro com Leão XIV

O primeiro encontro com o novo Papa, eleito em maio desse ano aconteceu na segunda-feira, 13 de outubro de 2025, no Vaticano, durante uma viagem de Lula a Roma para participar do Fórum Mundial da Alimentação (FAO) e da reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

A pauta, como aconteceu no encontro com outros Papas, girou em torno dos temas: fome, desigualdade e cooperação internacional em políticas sociais, preocupações já expressas pelo Papa em sua exortação apostólica inicial.

Observando essa trajetória de encontros entre o Presidente Lula e os Pontífices percebe-se que em todos eles, Lula reforçou temas como justiça social, combate à pobreza e fome, desigualdade e meio ambiente. Há um fio condutor claro: pautas de direitos humanos e cidadania, que dialogam tanto com sua base política quanto com a tradição progressista católica.

O envolvimento de Lula com os papas serve também como reafirmação de valores ligados à fé, mas que transcendem o espiritual, alcançando moral pública, diplomacia e imagem internacional. Encontros papais podem dar visibilidade e legitimidade internacional às agendas do governo.

O encontro com Leão XIV ocorre numa fase importante para Lula: em meio a desafios domésticos como a fome e a desigualdade, quando o governo brasileiro busca retomar o protagonismo em temas globais, tirando o país do Mapa da Fome através de parcerias internacionais. A aliança simbólica com o novo papa pode abrir janelas diplomáticas e reforçar compromisso moral para atuação internacional.

Talvez as expectativas não sejam alcançadas, pois nesses encontros há alguns limites como: audiências privadas, agendas restritas, temas muitas vezes mais simbólicos do que com compromissos práticos. No entanto, é importante observar se algo concreto sairá desses diálogos como cooperação prática, programas, mobilização da Igreja no Brasil, etc.

Os encontros de Lula com os papas nos mostram a existência de diálogo entre fé, política social e diplomacia. Eles deixam claro as intenções do presidente em alinhar sua atuação a valores universais, a busca de legitimidade moral, a necessidade de articulação pautas globais que repercutem no Brasil, e reforçar sua identidade enquanto dirigente comprometido com justiça social.

O encontro mais recente, com Leão XIV, representa a continuidade dessa tradição, com renovadas expectativas de que a Igreja Católica possa desempenhar papel ativo em fóruns internacionais de solidariedade, especialmente contra a fome, desigualdade e outras formas de vulnerabilidade.

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1 Comentário

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  1. Zoe680

    outubro 25, 2025 em 1:43 am

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Esporte

Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi da Copa

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Ferran Torres sai do banco para devolver a Fúria ao topo após 16 anos

Foram 16 anos de espera até que uma nova e talentosa geração recolocasse a Espanha no topo do futebol. Muitos dos ídolos da conquista de 2010, na África do Sul, estiveram em Nova Jersey neste domingo (19). Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta – autor do gol daquele título – e até mesmo Joan Capdevilla, liberado de última hora para viajar aos Estados Unidos e que chegou lá a tempo de se emocionar com a sonhada segunda estrela. Sim, a Fúria (apelido da seleção espanhola) é, mais uma vez, campeã da Copa do Mundo.

Os espanhóis tiveram pela frente os atuais donos da taça. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na prorrogação, após um verdadeiro “amasso” durante 120 minutos de jogo, colocou a seleção europeia no grupo seleto de bicampeões mundiais, que também tem Uruguai e França – além, claro, daqueles com três ou mais títulos, como os próprios argentinos e, o maior de todos os ganhadores e único penta, o Brasil.

Diferentemente de 2010, o herói do título saiu do banco de reservas. Mas, Ferran Torres e Iniesta têm algo em comum. No momento em que decidiram a Copa para a Espanha, ambos representavam o Barcelona. Ao contrário do ex-meio-campista, revelado no clube catalão, o atacante de 26 anos é cria do Valência e passou pelo Manchester City (Inglaterra) antes de chegar ao Barça.

Com a sexta menor média de idade da Copa (26,2), a Fúria deixou um recado claro para 2030, quando será uma das sedes: é favorita para buscar o tri. Afinal, possui nomes como os meias Gavi e Pedri e o atacante Nico Williams – que sequer terão completado 30 anos – a caminho do terceiro Mundial. Mesmo os veteranos do elenco, como o volante Rodri (terá 34 anos) ou o lateral Marc Cucurella (32), podem muito bem chegar lá.

E o que dizer de Lamine Yamal? O atacante de 19 anos é o mais jovem campeão mundial desde Ronaldo, que tinha 17 anos no tetra, em 1994. Detalhe: o brasileiro nem a campo foi naquela campanha, enquanto Yamal é simplesmente a estrela da companhia espanhola – apesar de atuação discreta neste domingo. O craque se tornou, também, o quarto mais novo da história a vencer uma Copa. O líder da estatística? Pelé, na Suécia, em 1958, com 17 anos e 249 dias.

A Espanha ainda atingiu dois marcos históricos com a conquista deste domingo. É a primeira vez que um país assegura, de forma simultânea, os títulos mundiais em ambos os gêneros. A Fúria foi a campeã do mundo feminina em 2023, na edição realizada na Austrália e na Nova Zelândia. No ano que vem, o Brasil sediará a Copa das mulheres. Será a vez das espanholas tentarem manter a unificação das taças.

Além disso, a Espanha tornou-se a seleção com mais jogos de invencibilidade na história – e justamente em uma final de Copa. Com o triunfo sobre a Argentina, são agora 38 partidas sem derrotas, superando a sequência da Itália entre 2018 e 2021. Curiosamente, a série positiva teve início contra o Brasil de Dorival Júnior, em um empate por 3 a 3, em 26 de março de 2024, na capital Madri.

Do lado argentino, frustração pelo adiamento do sonho do tetra e do desejo de “vingar” a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, quando Diego Maradona foi suspenso durante o torneio por doping. Sem esquecer do adeus de Lionel Messi às Copas. Aos 39 anos, no sexto Mundial da carreira, o camisa 10 se despede com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols.

Durante boa parte da Copa, Messi liderou a estatística, assumida na estreia, na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia. Ele, porém, foi ultrapassado no último sábado (18) pelo também atacante Kylian Mbappé. O francês chegou a 22 gols na derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, em Miami (Estados Unidos), na disputa do terceiro lugar.

Futebol? Teve pouco

Depois de um sábado repleto de gols e ainda com a memória da movimentada final de 2022, com quatro gols no tempo normal e dois na prorrogação, a expectativa era de um primeiro tempo tão animado quanto neste domingo. Bem longe disso. Com atuações abaixo do que podem apresentar, Espanha e Argentina demonstraram nervosismo e não saíram do zero.

A Fúria teve a iniciativa e as únicas oportunidades de gol, ainda que nenhuma dela realmente clara. Aos quatro minutos, Yamal tabelou com o meia Dani Olmo, invadiu a área pela direita e finalizou, mas o chute desviou no zagueiro Lisandro Martínez e facilitou a defesa de Dibu Martínez.

Corta, então, para os 38 minutos, quando o meia Fabian Ruiz acionou Olmo na entrada da área e o meia, com um leve toquinho de calcanhar, ajeitou para Mikel Oyarzabal, de frente para o gol. O atacante poderia ter devolvido para Ruiz, que passava sozinho pelas costas da marcação na esquerda, mas tentou o chute de primeira, parando em Dibu.

Já aos 42, foi a vez do lateral Marc Cucurella, acionado pela esquerda, bater cruzado, de fora da área, e mandar a bola rente à trave. Foi o último lance de perigo da primeira etapa. A Argentina não conseguiu efetuar nenhuma finalização antes do intervalo.

Ataque contra defesa

A pressão espanhola se intensificou na volta para o segundo tempo. Com menos de um minuto, o volante Ezequiel Paredes – que tinha acabado de entrar, no lugar do meia Nico González – errou o passe na intermediária e a bola ficou com Alex Baena. O atacante carregou até a entrada da área e arrematou no canto esquerdo, mas Dibu se esticou para agarrar.

Sem deixar os argentinos passarem do meio-campo, a Espanha encurralava os sul-americanos com marcação, pressão e troca rápida de passes, procurando espaço para finalização. Como aos 18, quando Olmo recebeu do meia Pedri (que substituiu Fabián Ruiz) na entrada da área e chutou. Dibu salvou e evitou o primeiro gol.

Três minutos depois, foi a vez de Yamal ser lançado na área pela direita e fazer o cruzamento praticamente em cima da linha de fundo. O atacante Ferran Torres – que entrara em campo um pouco antes, no lugar de Oyarzabal – conseguiu a cabeçada, mas mandou em cima do goleiro da Argentina.

A Espanha não diminuía o ritmo. Aos 31, o zagueiro Pau Cubarsi apareceu no ataque e arriscou da intermediária. Dibu deu rebote e o meia Mikel Merino – outra novidade do técnico Luis de la Fuente para o segundo tempo, no lugar de Olmo – teve a chance de concluir na pequena área. O chute, porém, acabou saindo alto e muito para o lado esquerdo, quase saindo pela linha lateral.

Se a missão da Argentina estava complicada no 11 contra 11, ela ficou mais difícil aos 47 do segundo tempo. Em disputa no meio-campo, o volante Enzo Fernández acertou uma entrada forte em cima de Cubarsi e recebeu o segundo amarelo. A primeira expulsão em uma final de Copa desde o francês Zinedine Zidane na decisão de 2006, na Alemanha, contra a Itália.

Aos 52, a Espanha teve uma última oportunidade, em cobrança de falta de Yamal, próxima à meia-lua. O atacante buscou o ângulo esquerdo, mas a bola saiu um pouco mais baixa que o esperado. Dibu se esticou e espalmou, mais uma vez salvando os hermanos e levando o duelo para a prorrogação. A primeira dos espanhóis e a terceira dos argentinos na Copa.

Tentativa de pênaltis

A estratégia da Argentina era clara: diminuir o quanto fosse possível o ritmo para desequilibrar a Espanha e tentar forçar uma decisão para os pênaltis. Dibu precisou trabalhar logo aos dois minutos, defendendo uma cabeçada de Nico Williams (que entrou no lugar de Baena) na pequena área, após levantamento de Pedri.

Três minutos depois, o lateral Pedro Porro recebeu na direita e cruzou rasteiro para a área. Merino ganhou a dividida contra o zagueiro Nicolás Otamendi (que substituiu Lisandro Martínez, contundido, no fim do primeiro tempo) e a bola sobrou com Nico Williams, que mandou para as redes. O gol foi anulado por falta de Merino, para desespero da Espanha.

Aos 12, mais uma vez, Nico Williams chamou o jogo. Agora na ponta esquerda. O atacante cruzou na medida para Merino, que desviou de cabeça e mandou a bola rente à trave. Foi a 19ª finalização espanhola na partida, contra nenhuma – sim, nenhuma – dos argentinos até aquele momento.

Para a história

A insistência da Fúria foi, enfim, coroada no primeiro ataque do segundo tempo da prorrogação: cruzamento de Pedro Porro da direita, ajeitada de Nico Williams para atrás na pequena área e Ferran Torres, de primeira, chutando forte para colocar a Espanha à frente.

O próprio Ferran chegou a balançar as redes pouco depois, aos sete minutos, ao finalizar na saída de Dibu. O lance, contudo, foi anulado por impedimento do atacante no momento da assistência de Yamal.

Somente aos nove minutos a Argentina conseguiu registrar uma finalização, em cruzamento perigoso de Messi pela direita, que quase surpreendeu o goleiro Unai Simon. Dois minutos depois, o camisa 10 assustou novamente, ao acertar um chute forte que só não foi em direção ao gol porque explodiu no rosto de Merino.

Nos instantes finais, a pressão mudou de lado e passou a ser da Argentina, em sequenciais cobranças de escanteio. Mas a Espanha, com somente um gol sofrido na Copa, segurou-se bem o suficiente para garantir a taça. Agência Brasil

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MUNDO

Advogado brasileiro aciona mecanismos da ONU para tentar impedir execução de casal condenado à morte no Irã

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Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl foram sentenciados por tribunal revolucionário em Teerã; comunicação urgente apresentada por advogado brasileiro aponta risco de execução, alegações de tortura, confissões forçadas e violação do direito de defesa

Og Pereira de Souza é advogado com especialização em Direito e Jurisdição e atua em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro em várias áreas do Direito, inclusive direitos humanos transnacionais (Ação Transfronteiriça) e Direito Penal

O advogado brasileiro Og Pereira de Souza, inscrito na OAB-DF sob o nº 24689, encaminhou uma comunicação urgente aos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas para pedir intervenção internacional no caso de Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl, casal iraniano que, segundo o documento, estaria detido na Prisão de Evin, em Teerã, e condenado à morte pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário do Irã.

A solicitação foi dirigida à Relatora Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na República Islâmica do Irã, Mai Sato, bem como ao Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária e ao Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias.

Na comunicação, apresentada em inglês e português, o advogado afirma que o caso envolve risco iminente de execução e pede que os Procedimentos Especiais da ONU atuem com urgência junto às autoridades iranianas para suspender qualquer medida executória contra o casal.

O documento sustenta que Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl teriam sido condenados à morte após um julgamento sumário, sem observância das garantias mínimas do devido processo legal e sem acesso efetivo a advogados independentes.

Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl foram sentenciados por tribunal revolucionário em Teerã

A petição aponta supostas violações graves ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, especialmente ao artigo 6º, que protege o direito à vida, e ao artigo 7º, que proíbe tortura e tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Segundo a comunicação, relatos confiáveis indicariam que os acusados foram submetidos a tortura física e psicológica para extração de confissões televisivas, circunstância que, se confirmada, comprometeria a validade do processo e agravaria a urgência da intervenção internacional.

O pedido também afirma que o julgamento teria ocorrido em sessão fechada e sem assistência de defesa técnica independente, o que, na avaliação apresentada pelo advogado brasileiro, viola padrões internacionais de julgamento justo.

Diante disso, Og Pereira de Souza solicita que a ONU intervenha para suspender imediatamente a execução de Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl, exigir avaliação médica independente em razão das alegações de tortura e instar as autoridades iranianas a assegurar novo julgamento compatível com os parâmetros internacionais de imparcialidade, ampla defesa e devido processo legal.

A comunicação foi encaminhada como “Urgent Appeal” e “Apelo Urgente”, em tom de alerta humanitário e jurídico, com o objetivo de provocar reação rápida dos mandatos internacionais competentes antes que ocorra dano irreversível.

Ao final do documento, o advogado se identifica como representante jurídico e advogado de direitos humanos, com atuação a partir de Brasília, e fundamenta sua iniciativa na necessidade de proteção do direito à vida e das garantias fundamentais de pessoas submetidas à pena capital.

O texto diz respeito à Apelação Urgente, ou “Urgent Appeal”, nº ziewjvi9, protocolizada perante o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, no âmbito dos Procedimentos Especiais das Nações Unidas, com sede em Genebra.

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O Agente Secreto faz história no Globo de Ouro com dois prêmios

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Wagner Moura conquistou prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama

O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo no Globo de Ouro, realizado no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA). O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das principais categorias da cerimônia: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura.

Apesar do desempenho expressivo, o longa brasileiro não levou o prêmio de Melhor Filme de Drama, principal categoria da noite, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a chamada “noite do Brasil” consolidou a presença do país entre os destaques da premiação.

O anúncio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Ao revelar o vencedor, Driver saudou o público brasileiro com um “Parabéns”, dito em português. Na categoria, O Agente Secreto superou produções de cinco países: Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França).

Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso saudando o país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, agradeceu à distribuidora brasileira Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou o diretor.

A vitória coroou um percurso internacional iniciado no Festival de Cannes, onde o filme teve estreia concorrendo à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo tomou a Avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados da edição.

Melhor ator

Já Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Viva a cultura brasileira”, disse o ator, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto.

Além de Wagner Moura, concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).

A vitória de O Agente Secreto resgata uma tradição brasileira na premiação: Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999, e, no ano passado, Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama.

Entre os demais vencedores do Globo de Ouro, o prêmio de Melhor Direção em Filme ficou com Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra. Já Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia foi conquistado por Timothée Chalamet, por Marty Supreme.

Na televisão, a série Adolescência saiu com dois prêmios de atuação: Owen Cooper venceu como Melhor Ator Coadjuvante em Série, e Stephen Graham foi premiado pela atuação como protagonista, além de também assinar a direção da produção.

Com duas estatuetas e forte repercussão internacional, O Agente Secreto consolida o Brasil como um dos grandes protagonistas da atual temporada de premiações do cinema mundial. Agência Brasil

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