{"id":3199,"date":"2026-07-23T12:45:24","date_gmt":"2026-07-23T12:45:24","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfc.com\/?p=3199"},"modified":"2026-07-23T12:45:24","modified_gmt":"2026-07-23T12:45:24","slug":"alerve-radio-e-tv-cerrado-prestigiam-abertura-da-24a-flip-em-paraty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfc.com\/pt\/2026\/07\/23\/alerve-radio-e-tv-cerrado-prestigiam-abertura-da-24a-flip-em-paraty\/","title":{"rendered":"ALERVE, R\u00e1dio e TV Cerrado prestigiam abertura da 24\u00aa FLIP em Paraty"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3200\" srcset=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-300x225.jpeg 300w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-768x576.jpeg 768w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52-16x12.jpeg 16w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.52.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Academia de Letras de Rio Verde (ALERVE) juntamente com os propriet\u00e1rios do Jornal Folha da Cidade, R\u00e1dio e TV Cerrado prestigiaram a abertura da 24\u00aa Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), que come\u00e7ou na quarta-feira (22) e vai at\u00e9 domingo (26). Nesta edi\u00e7\u00e3o, a homenageada \u00e9 a poeta Orides Fontela, uma das pioneiras nas vertentes contempor\u00e2neas da poesia brasileira, a autora \u00e9 conhecida pelo rigor formal com a l\u00edngua e pela atualiza\u00e7\u00e3o que faz do Modernismo. Junto com a R\u00e1dio MEC, a Ag\u00eancia Brasil e a R\u00e1dio Nacional realizam a cobertura do festival no litoral fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA presen\u00e7a da ALERVE atrav\u00e9s de seus membros Alexandre Avelino Giffoni J\u00fanior (presidente); Maria Jos\u00e9 Jardim Godoi, Sebastiana Aparecida Moreira; On\u00edria Guimar\u00e3es de Oliveira e da imprensa rio-verdense (Jornal Folha da Cidade, R\u00e1dio e TV Cerrado) representa o compromisso com a difus\u00e3o do conhecimento e da cultura. A ALERVE acredita que a Feira \u00e9 um importante momento para ampliar os grandes debates do pa\u00eds e aproximar cada vez mais a popula\u00e7\u00e3o da literatura, dos autores e das diferentes express\u00f5es culturais brasileiras. \u00c9 uma alegria fortalecer essa parceria em um evento t\u00e3o relevante para a vida cultural do Brasil&#8221;, afirmou o presidente Alexandre Giffoni.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3201\" style=\"aspect-ratio:0.7500079181579198;width:401px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49-225x300.jpeg 225w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49-9x12.jpeg 9w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-23-at-09.41.49.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir desta quarta-feira, todos que est\u00e3o em Paraty prestigiando o vento ter\u00e3o a oportunidade de acompanhar uma vasta programa\u00e7\u00e3o que inclui debates, lan\u00e7amentos de obras de grandes autores e ainda momentos riqu\u00edssimos de intera\u00e7\u00e3o entre leitor e escritor. \u00c0s 15h no Espa\u00e7o Arandu acontece a apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a infantil; Silo Cultural, Asa Laranjeiras, Companhia Dan\u00e7a &amp; Arte Paraty e Tia Tharcylla Ballet, al\u00e9m da OFICINA \u201cBrincando com gravetos\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre a homenageada do evento: Orides Fontela<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A poeta Orides Fontela (1940-1998) transformou o of\u00edcio da escrita em uma forma de exist\u00eancia. Ela dedicou-se a pensar o poema, perseguir a palavra exata, escrever e reescrever, como se lapidasse os versos. Considerada por cr\u00edticos e estudiosos uma das grandes poetas brasileiras do s\u00e9culo 20, construiu uma obra marcada pela precis\u00e3o da linguagem e pela densidade filos\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado \u00e9 uma obra po\u00e9tica marcada por originalidade, em que poucos versos d\u00e3o conta de reflex\u00f5es profundas. No entanto, durante boa parte da vida e mesmo depois da morte de Orides, a poesia dela permaneceu por d\u00e9cadas restrita a c\u00edrculos acad\u00eamicos, \u00e0 margem de um reconhecimento mais amplo. Enquanto seus poemas despertavam a aten\u00e7\u00e3o entre cr\u00edticos, professores e escritores, ela seguia invisibilizada diante do grande p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase 30 anos depois de sua morte, a 24\u00aa Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), que come\u00e7a nesta quarta-feira (22), tem Orides Fontela como homenageada. A escolha da curadora Rita Palmeira tem permitido que se reconhe\u00e7a o valor do trabalho da autora, cuja vida se organizou em torno da poesia. Al\u00e9m disso, o evento deve promover um maior acesso do p\u00fablico \u00e0 obra dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natural de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, no interior paulista, a poeta se formou em filosofia, al\u00e9m de ter sido professora prim\u00e1ria e bibliotec\u00e1ria. A autora venceu o Pr\u00eamio Jabuti com o livro Alba, em 1983, na categoria Poesia, e o pr\u00eamio da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte (APCA) em 1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador e jornalista Gustavo de Castro, autor da biografia O Enigma Orides (editora Hedra), no passado, principalmente enquanto ela era viva, havia uma narrativa consolidada sobre a escritora, inclusive na imprensa, que deslocava o foco da poeta para uma personagem quase folcl\u00f3rica, descrita a partir de conflitos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEla n\u00e3o teve reconhecimento de sua obra. Ela era conhecida como uma poeta universit\u00e1ria, foi reconhecida pelos cr\u00edticos, pelos professores da universidade, mais ningu\u00e9m. Ela n\u00e3o tinha um alcance nacional, n\u00e3o mesmo, como isso que est\u00e1 acontecendo agora com a Flip, gra\u00e7as a Rita Palmeira, que teve uma vis\u00e3o de valorizar uma mulher poeta, pobre e marginalizada\u201d, disse Gustavo de Castro, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, os r\u00f3tulos e estere\u00f3tipos atribu\u00eddos a Orides foram muito destacados em detrimento do valor liter\u00e1rio da obra dela. O pesquisador defende que a autora seja reconhecida como uma artista que fazia poesia apesar das situa\u00e7\u00f5es extremas de pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 uma poeta inteligent\u00edssima, que pensa o livro enquanto produto art\u00edstico, o poema enquanto elabora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, e a palavra enquanto sentimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro elemento que contribuiu para invisibilizar Orides, aponta o pesquisador, foi o machismo. \u201cEla foi v\u00edtima do machismo, que est\u00e1 na sociedade brasileira e por isso tamb\u00e9m est\u00e1 na literatura brasileira. E esse machismo continua\u201d, lamentou Castro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador disse que a autora ainda \u00e9 retratada na imprensa a partir dos estere\u00f3tipos atribu\u00eddos, majoritariamente, a mulheres que desafiam as expectativas sociais sobre comportamento, rela\u00e7\u00f5es afetivas e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Orides que merece ser vista \u00e9 aquela que medita a palavra. A palavra dela \u00e9 como um cristal: se voc\u00ea gira um pouquinho para c\u00e1, voc\u00ea v\u00ea uma determinada coisa. Se gira um pouquinho para l\u00e1, voc\u00ea v\u00ea uma outra coisa. Esse \u00e9 o poder da poesia\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Orides tinha um processo de escrita marcado pela reescrita constante. \u201cEla terminava de ler um livro e escrevia atr\u00e1s dele alguns versos, inspirada naquela leitura. Ela escrevia em folhas avulsas e ia guardando em pastinhas. Depois reunia, retrabalhava, reescrevia. A poesia de Orides tem muito de reescritura, isso \u00e9 uma marca\u201d, contou Castro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMas n\u00e3o era essa poeta que marca um hor\u00e1rio, senta, escreve, sabe? Ela tentava unir inspira\u00e7\u00e3o e transpira\u00e7\u00e3o, no sentido de captar uma ideia po\u00e9tica, anotar e depois retrabalhar aquilo com calma\u201d, explicou. Lan\u00e7ada originalmente em 2015, a biografia de Orides foi reeditada e ganhou trechos in\u00e9ditos neste ano em que a autora \u00e9 a homenageada da Flip.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Gustavo Castro, que tem como tema de pesquisa acad\u00eamica justamente biografias de poetas, chama aten\u00e7\u00e3o a dedica\u00e7\u00e3o de Orides a pensar a poesia continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00f3 pensa poesia, vive poesia, respira poesia. A fam\u00edlia da Orides, o p\u00e3o da Orides, a vida da Orides eram a poesia. Isso implica uma vida de intensidade, viver na intensidade da poesia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940\u20131998) foi uma poeta e fil\u00f3sofa brasileira, celebrada pela cr\u00edtica pelo alto rigor formal, concis\u00e3o e misticismo. Foto: Fritz Nagib\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"437\" src=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ORIDES.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3202\" srcset=\"https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ORIDES.png 696w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ORIDES-300x188.png 300w, https:\/\/jornalfc.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ORIDES-18x12.png 18w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele ressaltou que, apesar das condi\u00e7\u00f5es materiais prec\u00e1rias que marcaram a trajet\u00f3ria da autora, Orides continuou a se dedicar \u00e0 poesia. \u201cIsso \u00e9 muito radical. Essa radicalidade de sacrificar as condi\u00e7\u00f5es materiais em fun\u00e7\u00e3o da poesia, quem faz isso? Orides fez\u201d, disse o bi\u00f3grafo. \u201cEla \u00e9 uma esp\u00e9cie de santa da poesia, eu costumo dizer. Porque \u00e9 uma esp\u00e9cie de santidade, de pureza, de cren\u00e7a na palavra po\u00e9tica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o precisa tamb\u00e9m idealizar a Orides, n\u00e3o, sabe?\u201d, ponderou Gustavo, relatando que ela viveu um \u201cdespeda\u00e7amento\u201d em sua vida por conta dessa dedica\u00e7\u00e3o total \u00e0 poesia. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o consegue ter uma vida pr\u00e1tica, objetiva, prosaica. Voc\u00ea se despeda\u00e7a, como foi o caso dela. Ela foi se esquecendo de tudo, at\u00e9 de si mesma.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bi\u00f3grafo lembrou ainda uma express\u00e3o que a poeta costumava mencionar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEla dizia assim: \u2018Clarice Lispector escreveu Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem. Eu sou o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o selvagem.\u2019\u201d Ele conclui: \u201cOrides estava muito pr\u00f3xima de um estado radical, selvagem, de apostar uma vida inteira em palavras, em versos, e at\u00e9 abdicar de rela\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o da sua poesia.\u201d<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Academia de Letras de Rio Verde (ALERVE) juntamente com os propriet\u00e1rios do Jornal Folha da Cidade, R\u00e1dio e TV Cerrado prestigiaram a abertura da 24\u00aa Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), que come\u00e7ou na quarta-feira (22) e vai at\u00e9 domingo (26). 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